PARTICIPANTE DA GLÓRIA QUE HÁ DE SER REVELADA


 

“Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada.(Grifo meu)”

(1 Pedro 5:1)

    

       Nasci em um lar católico, (meus pais não gostavam nada de crente), lembro que quando criança, na frente de minha casa, havia uma célula da Assembleia de Deus. Toda semana aquelas pessoas se reuniam, cantavam e pregavam a palavra de Deus com fervor. Alguma coisa acontecia no meu coração. Principalmente quando eles cantavam os hinos da harpa cristã que falava da volta de Jesus, como por exemplo, ao estrugir da trombeta: “Quando a angelical trombeta neste mundo estrugir, O meu nome ouvirei Jesus chamar; Pois eu creio na promessa, e que Deus a vai cumprir Quando ouvir Jesus meu nome proclamar! Glória! Glória! Aleluia! O meu nome ouvirei Jesus chamar; Glória! Glória! Aleluia! Eu espero ouvir Jesus a me chamar. Quando o céu for enrolado e o sol não der mais luz, O meu nome ouvirei Jesus chamar; Passarão a terra, o mar, mas permanecerá Jesus, Que meu nome vai na glória pronunciar. Oh! Que música suave há de ser pra mim ouvir O meu nome Jesus Cristo anunciar, Oh! Que gozo vai minha alma lá nos altos céus fruir Quando o Cristo o meu nome proclamar!”

       Quando chegava a parte do hino que falava: “pelo meu nome Ele chamará”, meu coração, já com a semente de fé e esperança, orava a Deus que também eu queria um dia participar dessa glória celestial.

       Creio ser o desejo de milhões de pessoas no mundo inteiro de um dia participarem da glória eterna de Deus. Agora como chegarão até lá, de que forma chegarão, e quando chegarão e se chegarão, esses devem ser os dilemas de muitos corações.

       O certo é que a semente da eternidade foi posta no coração de cada homem e mulher que nasceu nesta terra. “Ele fez tudo apropriado há seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.” (Eclesiastes 3:11)

       Em sua segunda carta o apóstolo Pedro, fala do desenvolvimento da fé cristã, até atingir a maturidade espiritual. Ele fala também do sofrimento por causa de Cristo, fala aos cristãos para fugirem das paixões carnais e conservarem a santidade, o temor a Deus, arrependerem-se de seus pecados e prepararem-se para a volta gloriosa de Jesus.

       Nessa carta de Pedro, três frases, em diferentes versículos, me chamaram muita atenção:

  • Primeiramente Pedro fala de sermos participante ou (co) participante (em outra versão da bíblia) dos sofrimentos de Cristo,(I Pedro 4:13)
  • Depois menciona sermos (co) participante da glória que há de ser revelada (I Pedro 5:1b);
  • E por último, de sermos (co) participante da natureza divina.(II Pedro 1:4)

        Meditaremos, nesta mensagem sobre esses assuntos que estão interligados, inter-relacionados na completude da unidade teológica das verdades cristãs. Creio que esses três aspectos trarão ensinamentos profundos do que Deus tem para a igreja contemporânea, como também do futuro. É uma mensagem de fé, sobretudo da glória eterna, na presença d’Ele.

I – (CO) PARTICIPANTES DA NATUREZA DIVINA

“ Por intermédio destas ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina (Grifo meu) e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça.” 2 Pedro 1:4

        No principio da criação Deus criou o homem segundo a sua imagem e semelhança, (Gn 1:27), mas veio o pecado da desobediência e o afastamento de Deus. Adão passou a ter seus filhos a sua imagem e a sua semelhança, (Gn 5:3), e assim toda a humanidade recebeu, através de Adão, a herança da rebelião a Deus, e como consequência a morte. (Rm 5:12)

       O pecado nos afasta de Deus e gradativamente vai desfigurando a imagem de justiça, integridade, e santidade, com a qual Deus nos moldou no principio . É um caminho de degradação, totalmente contrário ao que Deus preparou para nós no inicio da criação.

       Em sua carta aos Efésios, Paulo expressa exatamente tudo o que o apóstolo Pedro fala no inicio de sua segunda carta. Vamos ler os versículos de Paulo: Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:20-24)

       O que Paulo diz é que o conhecimento de Deus, através de um aprendizado íntimo com Ele, irá nos moldar em conformidade a sua vontade, desde o inicio da criação, de sermos segundo a sua imagem e semelhança e andarmos em justiça e santidade.

       Pedro fala aos cristãos, em sua bela carta, que as grandiosas e mui promessas de Deus, contidas em sua palavra, quando praticada, faria-nos participantes da natureza divina, nos afastando de toda a corrupção oferecida pelo mundo.

       Que maravilha!!! Os atributos morais de Deus serão alcançados por nós: bondade, misericórdia, alegria, paz, amor, longanimidade, paciência, justiça, santidade, fidelidade, tudo que fazem parte da essência divina, farão parte de nossa natureza transformada.

                            II – (CO) PARTICIPANTES DOS SOFRIMENTOS DE CRISTO

“ Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo,(grifo meu) para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria.” (1 Pedro 4:12-13)

       O apóstolo Pedro expressa aqui, como devemos encarar os sofrimento que se nos advêm, as angústias, as perseguições sofridas, as aflições por causa do evangelho; com alegria e não com surpresa por nossa condição de filhos. Não que esses acontecimentos contribuam para a obra expiatória pelo pecado, mesmo por que já foi realizada, de uma vez por todas, nos sofrimentos e morte de Cristo na cruz do calvário. (I Pedro 2:21-24)

       O apóstolo nos ensina , nesses versículos, que os sofrimentos pelos quais passamos nessa vida, nos assemelham a Cristo, em seu sofrimento: angústias, tristezas, decepções, traições, ingratidão, abandono, espancamento, humilhação, tudo isso e muito mais Ele sofreu por amor a nós. Por isso ele conhece a amplitude desses sofrimentos pois,  semelhantemente, Ele vivenciou a todos.

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hebreus 4:14-16)

       Os sofrimentos que passamos, não podem nos fazer desistir ou retroceder em nossa caminhada cristã. Muito pelo contrário, devemos entender que além de nos aperfeiçoar, amadurecer na fé, os sofrimentos nos aproximam mais de Cristo. Como disse o salmista: Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos.” (Salmos 119:71)

         Nunca podemos perder a perspectiva da esperança. Os sofrimentos da vida não podem retirar, não podem sufocar em nós a esperança da glória da qual participaremos, um dia, nos céus.

         Como filho do Deus Altíssimo, comprado pelo sofrimento e morte de nosso Senhor Jesus na cruz do calvário, tenho esperança que nada, absolutamente nada, tirara de mim a esperança da glória que me está guardada na presença de Deus, nos céus. “Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Romanos 8:17,18)

               III- (CO) PARTICIPANTES DA GLÓRIA QUE HÁ DE SER REVELADA

“Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada. (Grifo meu)” (1 Pedro 5:1)

       Que palavra maravilhosa o apóstolo Paulo e o apóstolo Pedro falam em suas cartas. Eles afirmam que um dia participaremos da glória que há de ser revelada!!!

         Quando os apóstolos falam de glória a ser revelada, falam de bem-aventurança divina, de honra, fama, esplendor, magnificência.

       Essa convicção de fé é emanada das promessas de Deus, alicerçada na esperança que nossa vida não resume apenas aos acontecimentos, ou aos sofrimentos do tempo em que vivemos nessa terra, mas sobretudo, numa esperança que vai além desta vida, esperança de glória.

       Um lugar de glória, de paz, de justiça, de amor, um lugar onde teremos a presença de Deus constante nos apascentando, nos amando e nos protegendo para sempre.        

         A presença de Deus nos céus trará em nós o gozo, a alegria, a glória, que nossas almas sempre desejaram. A glória de sua presença consolará nossos corações para sempre.

       Devemos ser gratos a Deus por podermos participar dessa glória eterna.“…sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da sua glória, para que tenham toda a perseverança e paciência com alegria, dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz.” (Colossenses 1:11-12)

 

       Para usufruirmos de todas essas benções prometidas pelo nosso Salvador faz-se necessário perseverarmos até o fim. Confiança igual ou superior que tivemos no inicio de nossa fé. “Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama “hoje”, de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado, pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio. (Grifo meu)” (Hebreus 3:13-14)

       Nenhum cristão deve abandonar essa bendita esperança. Mesmo em face às lutas, aos sofrimentos desta vida; mantenha sua fé firme e inabalável, na esperança da glória que há de ser revelada a todos os que perseverarem fiéis até o fim.

Pr Francisco Nascimento