BUSCANDO AS ÁGUAS


          “ Como a corça suspira pelas águas correntes, assim por ti ó Deus, anseia a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?¨ Salmos  42:1

O salmo 42 é de autoria dos filhos de Corá (Coré). Provavelmente pertenciam a segunda geração de Coate, da tribo de Levi. Grupo de músicos sacros. Pelo menos 12 salmos são atribuídos a eles.

Os levitas amavam o templo mais que qualquer outro israelita. Fora a tarefa que o próprio Deus designara para que Levi e sua descendência executassem.

Os levitas deveriam ajudar os sacerdotes em quase todo o trabalho litúrgico e todas as   tarefas associadas com o templo. Começara no tempo do tabernáculo e estendera-se até o templo. A dependência dos levitas era total ao Senhor e conviviam diuturnamente com a presença de Deus.

No tabernáculo não havia ofício de canto instrumental. Davi instituiu esse ofício já no templo. Separou um grupo entre os levitas para o ofício do louvor, agora cantado e instrumentalizado ao Senhor, contudo, eles não só cantariam, mas seus cânticos deveriam ser profecias vindas dos instrumentos.

¨Davi com a cooperação dos comandantes do exército, separou alguns dos filhos de Asafe, de Hemã e de Jedutum para o serviço religioso de profetizar ao som de harpas, liras e címbalos..” 1Crônicas 25:1

Todos estes estavam sob a direção e mentoria de seus respectivos pais, quanto à ministração do louvor por meio da música no templo do SENHOR, com címbalos, liras e harpas, no serviço de adoração na Casa de Yahweh, estando Asafe, Jedutum e Hemã submissos às ordens do rei.  O número deles, juntamente com seus irmãos instruídos no canto de Yahweh, todos eles mestres, era de duzentos e oitenta e oito. – 1Crônicas 25:6-7

Em turnos determinados eles cantavam, adoravam e reverenciavam a Deus no templo, de maneira que nas 24 horas que compreende o dia, jamais faltava adoração e louvor na presença de Deus.

Sabemos, irmãos que para o cristão israelita do Antigo Testamento, a presença de Deus era manifesta no templo em Jerusalém, através da Arca da Aliança e da Skinah de Deus, a nuvem de glória que enchia o lugar. Por várias vezes o povo foi agraciado com essa manifestação real e visível da presença de Deus.

I – Anelo pela presença de Deus

Nos versículos lidos como texto base desta ministração, o salmista apresenta um anseio, um suspiro profundo por estar na presença de Deus. (desejava ardentemente como se estivesse apaixonado).

O histórico desse salmo apresenta algumas interpretações, como que o salmista estava enfermo que o privou  de estar no templo. Outros acreditam que estava no exílio, longe da pátria, o que o impossibilitava também de estar em Jerusalém e de adorar no templo. Em ambos os casos o salmista sentia-se distanciado da presença de Deus e portanto de toda a alegria,  refrigério e cura que essa presença lhe proporcionaria.

O salmista apresenta-se triste em virtude da adversidade que passava, sentia-se em sofrimento e oprimido pelas palavras que terceiros dirigiam a ele, até mesmo dizendo que Deus o havia abandonado.

Apesar de ser um levita, um homem acostumado com a presença diária de Deus, acostumado a liturgia do templo, ela não estava conformado com o distanciamento que enfrentava dessa presença. Ele demonstra sua necessidade de comunhão e seu prazer em estar na presença de Deus. A expressão ¨minha alma¨, não se refere apenas ao lado espiritual, mas o homem todo em sua inteireza. Ele não se satisfaz com o que tem de Deus, anseia mais, um ponto alto com Deus; quando poderei entrar para apresentar-me a Deus¨

Ele estava separado da congregação de louvor que experimentava ao comparecer ao templo no meio da multidão de crentes. O foco do louvor no livro de salmos é o louvor congregacional.

Muitos tem perdido estas perspectiva e o desejo pelo estar na casa de Deus e louvar em uníssono com os irmãos. Temos ficados distraídos com os muitos entretenimento que o mundo, a carne e o diabo tem nos oferecido e muitas vezes temos aceitado essa moeda de troca. O templo, a comunhão já deixaram de ser importantes e primícias oferecidas por mim.

Precisamos entender, que embora sejamos hoje, a  arca da aliança, que carrega a presença de Deus, por sermos filhos amados, muito mais íntimos e em comunhão deveríamos estar do Senhor, que nos capacita com os instrumentos bélicos para detonar o inimigo e salvar vidas. Essa verdade tem ficado na superficialidade de nossas almas, não enraizamos em nosso ser e qualquer vento, qualquer intempérie a arranca e nos tornamos arca vazia.

Nada substitui a visitação sobrenatural do Espírito Santo em nosso ser. Quando falo de visitação, estou pensando em momentos de uma comunhão intensa, pois o Espírito não deve ser visitante em nossas vidas, deve ser, outro sim, habitante de honra. Esses momentos de intensa comunhão devem abalar nossos sentidos naturais, nada pode ser mais edificante, gratificante e apaixonante que isso.

2- O perigo da Conformação

Aquele salmista estava inconformado. Apesar das dificuldades que enfrentava, ele ansiava ardentemente pela presença de Deus e tinha consciência de que seu único escape era buscar o Senhor.

Quando nos sentimos satisfeitos com o que já recebemos e até mesmo conformado com as situações adversas pode ser muito perigoso para nossas vidas. Ficamos confortáveis e até mesmo preguiçosos em buscar o Senhor, ficamos saudosos da visitação passada. Muitos estão afastados do templo ou quando percebemos somos católicos protestantes: templo só aos domingos e mesmo assim, domingos em que não apareça outra coisa mais agradável para fazer.

Creio sim que devemos ser gratos pelo que o Senhor já fez, mas ansiosos pelo que Ele fará, apaixonados por experimentar as novidades que nos oferecerá a cada dia. Deus só agirá na medida da nossa sede. Precisamos buscar o novo de Deus a cada dia.

Salmo 73:25 “ A quem tenho eu no céu senão a ti; e na terra não há quem eu deseje mais que a Ti”

Que em nosso coração não haja lugar para o conformismo, mas sim pelo desejo ardente de buscar  mais e mais a presença do Senhor.

3- Comparação com a corça

Todo anseio do coração do salmista é comparado ao desejo que a corça tem pelas correntes de água.

Vejamos que o anseio da corça não é por qualquer água, mas pelas correntes das águas, que são lençóis subterrâneos que dão origem às fontes. A corça deseja o melhor das águas. Assim nós devemos almejar o melhor, a essência do Espírito de Deus agindo em nós.

A corça é um animal arisco, avesso ao confinamento (estar preso) foi feita para estar em liberdade. Ela migra sempre para lugares onde possa encontrar mais água. É um animal ligeiro, seu salto cobre distâncias consideráveis, por isso dificilmente, é apanhada por seus predadores. Foi feita para escalar lugares altos.

Habacuque 3:19 “O Senhor, o Soberano é minha força. Ele faz os meus pés como os da corça, e me faz andar em lugares altos.”

Em muitas situações da vida, creio que o cristão deve ser com a corça: ligeiro, arisco, dar saltos altos para longe de tudo que o embarace e seja  empecilho para com sua vida com Deus. Rejeitar tudo que o domine e o aprisione, a não ser  viver nos domínios do Espírito Santo.

Apesar de habilidosa a corça é frágil, pois seu organismo necessita de água com muita frequência, em virtude de gastar muita energia, correndo, saltando escalando, estando atenta aos perigos e armadilhas dos predadores.

As montanhas são sua zona de segurança, contudo as águas estão nos vales e ela precisa descer para buscá-las.

Longe das águas ela enfrenta duas situações:

A – A falta de água a desidrata, causando rachaduras em sua pele, por onde exala um odor característico que dá aos predadores naturais sua direção.

B –  Os caçadores, que são os predadores costumasses, sempre estão esperando no sopé da montanha, esperando o momento em que ela desce para ceifar-lhe a vida; sua carne e sua pele são alvos de comércio.

A dor das rachaduras são insuportáveis. Ela precisa de água, ela precisa descer.

Então ela espera o amanhecer, momento em que o caçador já sonolento, distrai-se em um cochilo e a corça enfrentando o perigo, desce velozmente em direção às correntes das águas e encontrando-as, ela mergulha, sacia sua sede, as rachaduras saram, o odor cessa, os inimigos perdem sua localização e ela segue livre.

A corça não corre sem direção, seu olfato apurado permite que ela sinta o cheiro das águas, ela vai na direção certa e encontra a nascente.

Simbolicamente temos muito em comum com a corça.

Na Bíblia, as águas simbolizam o Espírito Santo, os rios o fluir abundante desse mesmo Espírito.

A corça busca as águas porque é vital para sua sobrevivência- Ou encontra água ou morre.

O cristão que não tem intimidade, que não busca a Deus, que não valoriza o templo e a comunhão é terra seca rachada. Estão contentes com o efeito chupeta que mascara o saciar. O inimigo é atraído pelo cheiro das rachaduras do pecado, da dúvida, da desobediência, do orgulho, da indiferença, do desamor, da incredulidade…esse cheiro é maligno e atraem os demônios com ele.

Isaías 35:6-10 fala sobre o reinado do Messias.

“Então se abrirão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos se desobstruirão. Então o coxo saltará como o cervo e a língua do mudo cantará louvores de gratidão e felicidade, porquanto a água jorrará do deserto, e muitos riachos da estepe. A terra seca se transformará em brejo, e a terra árida em mananciais de água. Onde repousavam os chacais surgirá um campo de juncos e de papiros. Ali haverá uma estrada, um caminho que será conhecido por Caminho de Santidade. Os impuros não passarão por ele; servirá tão somente aos que são do Caminho; os ímpios e insensatos escolherão não seguir por ele. Ali não haverá leão algum e nenhum animal feroz passará por ele; nenhum deles se verá por ali. Só os redimidos andarão por ele, e todos quantos Yahweh resgatou voltarão. Entrarão em Tsión, Sião com hinos de júbilo; duradoura felicidade coroará sua cabeça. Gozo e alegria se apoderarão deles, e a tristeza e o lamento cessarão completamente.”

O Messias, Jesus Cristo, já reina. A sua presença já habita em cada um de seus filhos que devem viver agora no reinado da nova natureza oferecida por ele a nós. Nossa nova identidade.

A  força dele é atraída por nossa busca, nossa perseverança e nossa obediência em desejar ardentemente sua presença transformadora em nós.

Buscai as águas! Buscai o Espírito do Senhor! Mergulhe para ser tomado da plenitude de Deus. Shalon!!

 

Miss. Helena Paladino

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