ESCATOLOGIA


 TEOLOGIA SISTEMÁTICA

A DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS

( ESCATOLOGIA )

 

INTRODUÇÃO:

          “Os termos gregos por detrás dessa palavra “ESCHATOS , ‘último’ e “LOGOS , ‘estudo’. Portanto, a escatologia é o estudos das últimas coisas. E o termo grego cognato, ESCHATA, significa últimas coisas. Está em pauta a tradição profética relativa às últimas coisas que haverão de suceder nos lances finas do presente ciclo histórico. No entanto, o período do milênio e o estudo eterno também são enfocados nesse estudo, embora os mesmos representem novos começos e não façam partes das coisas preditas acerca do fim de nossa própria era. Em consequência, na tradição profética não há interesse apenas pelo fim de nossa dispensação, mas também pelo que ocorrerá depois da mesma.”  (Champlin)

         “A insegurança de nossos dias continua provocando um crescente interesse pelos fins dos tempos”. O anseio que o cristão sente para ‘saber os tempos e as estações’ não é fenômeno apenas do século XX. O povo de Israel há mais de dois mil anos já ouvia a voz dos profetas anunciando um tempo futuro em que a justiça de Deus haveria de pôr fim a todos os males. Naquele dia o Senhor visitaria os impérios com justiça e os castigaria, segundo a aplicação da Lei Divina (Jr 6:15; 10:15; 46:21; 51:6), enquanto para o verdadeiro povo de Deus haveria salvação eterna (Sl 80:16; 105:3 ; Sf 3:16,19). O livro dos jubileus manifesta a esperança do breve término do tempo presente e o início duma nova era (Eschaton – Kairós). Já a compreensão cristã do fim é escatológica, dividida em duas fases: o Primeiro advento de Jesus Cristo que ocorreu há quase dois mil anos, culminando com sua parousia ou a segunda vinda em um futuro desconhecido.

         Segundo o Novo Testamento, o fim (Eschaton) foi inaugurado com a encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, o messias. Os ‘últimos dias’ (Hb 1:2) já começaram. Paulo afirma: ‘vindo, porém, a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho’ (Gl 4:4), apontando para o início de uma nova época.

         O fator decisivamente novo e constitutivo para qualquer conceito cristão de todo o tempo está determinado. As afirmações no magnificat (Lc 1:46-55) e no Benedictos (Lc 1:68-79), como também a pregação de João Batista, revelam este mesmo ponto de vista. A mensagem que Jesus pregou anunciava: ‘o tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo’ (Mc 1:15). A intervenção divina já estava sendo manifestada ali e então logo a catástrofe que acompanhará o fim do dia do Senhor, deverá ser aguardada a seguir. Urge utilizar bem o tempo (os Kairoi) antes que seja tarde demais. É uma questão de vida ou morte. Esta nova era é caracterizada pela graça, de acordo com as profecias do Antigo Testamento. Deus dá oportunidade para o arrependimento até o fim (Rm 3:21; 16:25; Ef 3:8; Cl 1:26). Aquele que, pela Fé e compromisso de obediência, aceitar a Jesus como Senhor agora, receberá a vida eterna (‘vem a hora, e já chegou’ João 5:25). Assim entendemos a linguagem de Paulo ‘eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação” II Co 6:2, (Shedd).

I. A REALIDADE DA MORTE E O ESTADO INTERMEDIÁRIO.

     A. A Morte Física.

            “A morte física é a separação da alma ou espírito (que é a própria pessoa) do corpo. Nas escrituras, a morte física está intimamente relacionada com a morte espiritual ou a separação do homem de Deus. Tratando da questão da morte física como a morte é o resultado do pecado. A morte física é a terminação da vida aqui na terra e é também o fim do estado de provação. ‘E como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo’ (Hb 9:27). Se olharmos para trás, a morte física pode ser considerada um fim de uma  carreira, mas se olharmos para o futuro pode ser considerada o início de uma nova carreira. Na realidade, a morte do corpo não é o começo nem o fim de uma vida, se não uma experiência na vida. A morte fecha a vida numa esfera, mas abre-a noutra esfera, porque o que chamamos vida aquém-túmulo e vida além-túmulo são apenas fases diferentes de uma  mesma vida, que continua através de todas as experiências.

         Convém notar aqui que a morte física, para o crente, deixa de ser uma pena ou castigo, como acontece com descrente. Isto é, para o crente a morte física perde o aguilhão. Discutindo este assunto na sua carta aos Coríntios, assim diz o apóstolo Paulo: ‘onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó morte a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças à Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo’ (I Co 15:55-57).

         Para o crente a morte se torna serva: (porque para mim o viver é Cristo, o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne resultar para mim fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de acolher. Mas de ambos os lados estou em aspecto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor’ (Fl 1:21-23)” (Langston).

         “A morte é a separação da alma do corpo, pela qual o homem é introduzido no mundo invisível. Essa experiência descreve-se como ‘dormir’ (Jo 11:11) Dt 31:16; o desfazer da casa terrestre deste tabernáculo (II Co 5:1), deixar este tabernáculo (II Pd 1:4), Deus pedindo a alma (Lc 12:20), seguir o caminho por onde não tornará (Jo 16:22).

         Ser congregado ao seu povo (Gn 49:33), descer ao silêncio (Sl 115:17), expirar (At 5:10), tornar-se em pó (Gn 3:19), fugir como a sombra (Jó 14:2), e partir (Fl 1:23). (Meyer Pearman).

      B. O Estado Intermediário.

         “A Bíblia ensina-nos muito claramente que o homem não recebe o seu corpo logo após a morte física, e que o estado intermediário é aquele que vai da morte até a ressurreição, isto é, o estado em que o espírito está sem o corpo.

         Parece útil uma compreensão de três termos ao analisarmos os ensinamentos das escrituras concernente ao estado intermediário. Sheol é um termo hebraico que às vezes significa indefinidamente tumba ou lugar ou estado dos mortos; e outras vezes definidamente, um lugar ou estado dos mortos em que existe o elemento de miséria ou castigo, mas nunca um lugar ou estado de felicidade ou de bem-aventurança depois da morte. Hades é uma palavra grega que significa o mundo invisível dos espíritos idos. Foi usada pelos autores da septuaginta para traduzir  a palavra hebraica Sheol, como Salmo 16:10 e em Atos 2:27. A palavra hades é usada apenas onze vezes no Novo Testamento e, com exceção de quatro, todas traduzidas por inferno e, evidentemente, representa sempre o mundo invisível como sob o domínio de Satanás e como em oposição ao Reino de Cristo. A terceira palavra, ‘Paraíso’, significa um parque ou jardim. Foi usado pelos tradutores da septuaginta para significar o jardim do Eden (Gn 2:8). Aparece apenas três vezes no Novo Testamento (Lc 23:43; II Co 12:4; Ap 2:7), e o contexto demonstra que está em relação com o terceiro céu, e num dos exemplos, e nos outros como o ‘Jardim de Deus’ no qual cresce a árvore da vida referida-se necessariamente todas estas passagens e uma vida que segue à morte física.” (Introdução à Teologia Cristã).

        A crença comum entre o povo hebraico parece ter sido de que todas as almas desciam depois da morte para o Sheol, um lugar sombrio, subterrâneo, no qual os habitantes eram sombras existindo num estado de carência de força e poder como um sonho. Em outras ocasiões representa-se o Sheol dividido em duas partes: o paraíso, lugar de glória positiva e a Geena, lugar de tormento positivo. No paraíso, ou Seio de Abraão, estavam os judeus, ou pelo menos os que tinham sido fiéis à lei, e na Geena estavam os gentios” (ver Lc 16:19-31) . (Introdução à Teologia Cristã).

      C. Ensinos errôneos a respeito da vida pós-morte.

a) Existência do Purgatório (Lc 16:22; 23:43) ver também, Hb 9:27; II Co 5:10.

b) Consultas a mortos. (espiritismo). (Lv 19:31; 20:6,7; Is 8:19; Dt 18:9-14 ).

c) Sono da Alma. (Is 14:9-11; Sl 16:10; Lc 16:23; 23:43; II Co 5:8; Fl 1:23; Ap 6:9).

      D. A Condição do Justo Pós-Morte.

a) Ausente do corpo, presente com o Senhor. II Co 5:1,8.

b) Conduzido pelo anjo até o Paraíso, Lc 16:22; 23;43;

c) Debaixo do altar do Senhor. Ap 6:9-11; 7:9-17;

d) Descansado de todas as suas fatigas. Ap 14:13.

e) Passado pela terapia de cura interior dos traumas e sofrimentos Ap 7:14-17.

f) Vivendo eternamente ao lado do Senhor (Jo 11:26).

      E. Condição do Injusto Pós – Morte.

a) Sofrendo em tormento no Inferno, Lc 16:22-23.

b) Aguardando o juízo para serem castigados. II Pe 2:9.

c) Estão com a plena consciência, sabendo das consequências de seus pecados. Lc 16:19-31.

II. A SEGUNDA VINDA DE CRISTO.

            Pensamento: “Esse assunto tão querido à igreja primitiva e tão destacado no ensino e na pregação apostólica, nestes nossos dias de pensamento e teologia modernas tem sido relegado bem para o segundo plano, o ensino a respeito da segunda vinda de Cristo tem sido, na história eclesiástica, muito semelhante ao pêndulo de um relógio, oscilando de um extremo para o outro. Nos dias em que apóstolo Paulo escreveu suas duas epístolas à igreja de Tessalônica, o pêndulo dessa doutrina se projetara até um desses extremos. Parece que alguns haviam chegado à conclusão de que a vinda de Cristo estava tão próximo que a única cousa que lhes competia fazer era abandonar todo o trabalho por sua própria subsistência e aguardar o sonido da trombeta que anunciaria a volta do Senhor. Paulo, entretanto, escreveu a segunda epístola para regular esse pêndulo e orientar seu fervor religioso para os canais próprios.

         Após os primeiros séculos o pêndulo passou a outro extremo, parecendo mesmo que o mundo religioso perdeu de vista essa bendita esperança da igreja. Esse foi o caso durante o período que é lembrado como idade das trevas, quando o pecado e o sacerdotalismo reinavam, e mesmo depois de algum tempo depois da reforma. Então começou a ser reavivada a doutrina da segunda vinda; o grito da meia-noite ecoou em meio às trevas da superstição e do falso ensino e a igreja começou a examinar e atiçar suas lâmpadas, preparando-se para o encontro com o noivo.”  (Bancroft).

      A. O Fato de Sua Vinda.

a) Pelo testemunho dos profetas. Zc 14:3-5; Ml 3:1; Ez 21:26-27; Os 6:2-3.

b) Pelo testemunho de Cristo. Jo 14:1-3;

c) Pelo testemunho dos anjos. At 1:11; Ap 1:1,2;

d) Pelo testemunho dos Apóstolos. Mt 24:37,42,44;

e) Pelo testemunho de Paulo. I Ts 4:13-18.

      B. A Natureza da Sua Vinda.

            A volta de Jesus é um fato atestado por centenas de versículos; mas de que forma se dará essa volta?

     a) Pessoal e Corporal. At 1:11; Hb 9:28.

  b) Em duas fases:

         “A volta de Cristo é dupla; não se trata de duas vindas, mas sim de dois estágios de uma só vinda.” (Bancroft).

  1. Primeira Fase – nos ares para buscar seus santos – O arrebatamento. I Ts 4:16-17; Jo 14:3; Lc 17:34-36.

         “A palavra “encontro”, no original grego, significa: ‘encontrar para voltar junto tal como os crentes de Roma que saíram até a praça de Ápio ao encontro de Paulo, e dali retornaram com ele para Roma. Os santos serão arrebatados para se encontrarem com Cristo nos ares, e, após um intervalo em que determinados fatos se verificarão nos lugares celestiais, retornarão com ele a esta terra.” (Bancroft)

     2. Segunda Fase – à terra em companhia de seus santos – A Revelação. (II Ts 1:7-9; Cl 3:4; II Ts 2:7,8; I Ts 3:12,13.

     a) Visível. Ap 1:7; Mt 24:26,27;

b) Súbita. Ap 22:7,12,20; Mt 25:1-13;

c) Triunfantemente. Tt 2:13; 19:11-16. ( Mt 24:30 ).

d) Descerá em Jerusalém Zc 14:4,5.

    C. Os Sinais da Sua Vinda.

a) Nos céus. Lc 21:25 a.

b) Na terra Lc 21:25b; Mt 24:6-8; 19:28;

         – Terremotos (Mt 24:7). Pestilência, (Mt 24:7). – Guerras e fome (Mt 24:7). Desassossego Industrial e Anarquia    (II Ts 2:7). Transportes Múltiplos (Dn 12:4; na 2:4) . Apostasia (I Tm 4:1). Sinais de intensificação comercial (Ap 13:16,17). Sinais Políticos (Dn 2:7). Sinais Judaicas (Mt 24:32-34).

    D. O Propósito de Sua Vinda.

  1. No tocante aos membros de sua igreja.

a) Ressuscitará Primeiro os que morreram em Cristo. (I Ts 4:16; I Co 15:22,23).

         Essa é a primeira ressurreição a dos justos, a segunda ressurreição dos injustos acontecerá mil anos depois. (Jo 28:29; Ap 20:5-6; Dn 12:2).

     b) A transformação dos vivos. I Co 15:51-52.

c) O arrebatamento de todos (o encontro com o Senhor nos ares). 4:17.

d) O julgamento e a recompensa das obras. II Co 5:10; I Co 3:12-15; Is 40;10; Mt 5:12; Hb 11:24.

e) A apresentação da igreja a Cristo na qualidade de esposa. Ap 19:7-9; Mt 25:1-10; Ef 5:25-32; I Co 11:2.

     2. No tocante aos incrédulos.

a) Será retirado da terra o que impede a pouca paz e harmonia. II Ts 2:6,7.

b) Começará o período da grande tribulação pelas quais os incrédulos participarão. II Ts 2:7-12, Ap 16:1-14; 3:10.

c) Lutarão no exército do Anticristo contra a manifestação de Jesus Cristo, e serão derrotados. Ap 10:19-21; Zc 14:3; II Ts 1:7-10.

d) Os vivos serão julgados e condenados antes do estabelecimento do milênio. Mt 25:31-46.

e) Os incrédulos mortos serão ressuscitados após o milênio para sem julgados para a condenação. Ap 20:12; Jo 5:28-29; Dn 12:2; e serão lançados no lago de fogo. Ap 20:15.

     3. No tocante ao Anticristo.

a) Será manifestado na última hora. I Jo 2:18:22; 4:3; II Jo 7; II Ts 2:3-12.

         Pensamento: “O nome ‘anticristo’ nos apresenta uma das questões mais solenes e agoureiras contidas, nas escrituras. Surgirá um ser chamado ‘anticristo’: Alguém em oposição absolutamente contrária a Jesus Cristo e, portanto também a Deus. O espírito do anticristo já se encontra no mundo, negando a vinda de Jesus em carne, quer no passado quer no futuro. O espírito do anticristo, atualmente possuído por muitos, reinará em uma pessoa, o anticristo, que negará , tanto ao Pai como ao Filho. Os muitos ‘anticristos’ sem dúvida eram cristãos apóstatas. E o que constitui a característica essencial do anticristo, ou do espírito anti-cristão, é a negação de que Jesus Cristo veio em carne ‘ou que Jesus é o Cristo’ – a negação da encarnação – Andrews.

     b) Será um ser carismático e poderoso. II Ts 2:3,4,9; Dn 8:23,24; 7:20; Ap 6:2; 13:2,4;

c) Agirá com engano e injustiça para os que não amam a verdade. II Ts 2:3,9-12;

d) Pará aliança com os judeus. Dn 7:27; Jo 5:43;

         Pensamento: “Presume-se que ele será judeu. ‘O anticristo será judeu, ainda que suas relações, sua posição governamental, sua esfera de domínio, de modo algum se limitarão ao povo israelita. Entretanto, deve ser salientado que não existe declaração expressa das escrituras, de que esse ousado rebelde será judeu; não obstante, as indicações fornecidas são tão claras, as conclusões que deve ser tiradas de certas asseverações das sagradas letras são tão evidentes e a exigência do caso tão inevitáveis, que somos forçados a acreditar que ele seja judeu (Ez 21:25-27; confira com Dn 8:23-25; 9:25; Ez 28:2-10; conf. Ap 13:14; Dn 11:36,37; Jo 5:43; I Jo 2:18.”) A.D.

     e) Romperá aliança com os judeus na metade da septuagésima semana de Daniel. Dn 9:27; 11:31; Mt 24:15.

f) Será adorado como se fosse Deus. Ap 13:4-6;12;

g) Comandará os exércitos da terra contra Cristo, na famosa batalha de Amargedon. Ap 16:13,14,16; 17:8-14; 19:11-19.

h) Será derrotado e condenado por ocasião da vinda de Jesus Cristo. II Ts 2:8; Ap 19:19-21.

         Uma observação importante sobre as setenta semanas de Daniel: A profecia das setenta semanas de Daniel 9:24-27 fornece o quadro cronológico da predição messiânica de Daniel para o estabelecimento do reino sobre a terra e também uma chave para a interpretação. Seus aspectos principais são os seguintes:

            1) Toda profecia relaciona-se principalmente com o “povo de Daniel e sua cidade santa” – isto é Israel e Jerusalém.

         2) Dois príncipes são mencionados; o primeiro chama-se “ungido (Messias), o segundo é descrito como um príncipe que há de vir” (vs 26), uma referência ao “pequeno chifre” do cap. 7:8, cujo “povo” destruirá a Jerusalém reconstruída depois da morte do príncipe ungido. (vs. 26).

         3) As “Setenta Semanas” da profecia são semanas de anos, uma importante medida de tempo sabático do calendário judeu. A transgressão da ordem de se guardar o ano inteiro trouxe o juízo do cativeiro babilônico e determinou sua duração de Setenta Anos. Comparar Lv 25:1-22; 26: 33-35; II Co 36:19-21; Dn 9:2; compare também Gn 29:26-28; quanto ao uso de “semana” indicando sete anos.

          4) Estes 490 anos proféticos tem cada um 360 dias. Isto ficou comprovado pelas referências bíblicas à septuagésima semana de sete anos, que está dividida em duas metades (vs. 27), a última designada diferentemente de “tempo, dois tempos e metade dum tempo” Dn 7:25; Ap 12:14; “quarenta e dois meses” Ap 11:2; 13:5; “ou 1260 dias” (Ap 12:6; 13:3). Com relação a isto é preciso lembrar que, no largo escopo da profecia, o tempo profético é invariavelmente tão próximo que pede advertência perfeita, tão indeterminado que não satisfaz a mera curiosidade (Mt 24:36; At 1:7).

         5) O começo das setenta semanas está fixada como “a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém” e seus livros (vs 25). O único decreto nas escrituras autorizando a reconstrução da cidade e seus e seus livros encontra-se em Neemias 2; datada do “mês de Nissã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes” (isto é, 445 a.C.), está bem autenticada na história antiga, partindo desta data, as primeiras sessenta e nove semanas chegam até o “Príncipe ungido”.

         6) Mais tarde, “Depois das sessenta e duas semanas”, que se seguem as primeiras “sete semanas” (isto é, após sessenta e nove semanas), duas coisas importantes acontecerão: 1) O Messias será “morto” e não terá nenhum dos direitos reais (“e já não estará”). 2) A cidade reconstruída e o santuário serão novamente destruídos. desta vez pelo “povo” de um outro “príncipe” que ainda está para vir. De maneira geral há concordância sobre estes dois últimos acontecimentos que se cumpriram com a morte de Cristo (29 A.D.) e a destruição de Jerusalém por Roma no ano 70 a.D. Os dois acontecimentos foram colocados antes da septuagésima semanas do vs. 27. Portanto, um período de pelo menos quarenta e um anos entre a morte de Cristo e a destruição de Jerusalém deve intervir entre a sexagésima nona e a septuagésima semana.

         7) Os acontecimentos mais importantes da “última semana” (vs. 27) são os seguintes: 1) Há uma aliança de sete anos do futuro príncipe romano (o pequeno chifre” de 7.8) com os Judeus. 2) No meio da semana há uma interrupção violenta no ritual do culto judeu pelo príncipe romano que introduz abominações que tornam o santuário “desolado”. 3) Ao mesmo tempo inicia uma perseguição contra os judeus. 4) O fim da septuagésima semana produz juízo contra o desolador e produz também “justiça eterna” (vs. 24) – isto é, as bênçãos do reino messiânico.

         A prova de que esta semana ainda não cumpriu está no fato de Cristo explicitamente relacionar seus principais acontecimentos com a sua segunda vinda (Mt 24.6-15). Portanto, durante o período entre a sexagésima nona semana e a septuagésima semana deve intervir o período da Igreja, apresentado no Novo Testamento mas não revelado no Antigo Testamento. A interpretação que a atribuiu a última semana das setenta semanas ao fim dos tempos é dos pais da Igreja. Quando esta septuagésima semana era mencionada, durante os dois primeiros séculos e meio da Igreja Cristã, quase sempre era atribuída aos fins dos tempos. Irineu colocou a aparecimento do Anticristo no fim dos tempos da última semana; na verdade, ele assegura que o período da tirania do Anticristo vai durar exatamente meia semana, três anos e seis meses. Assim, da mesma maneira, Hipólito declara que Daniel “indica o aparecimento dos sete anos que serão os últimos tempos”. (Comentário de C.I. Scolfield, Bíblia Comentada, pág. 863 e 864.)

  1. No tocante às Nações

         Haverá julgamento de todas as nações por ocasião da volta do Senhor, elas serão reunidas e julgadas por Cristo.    (Mt. 25.31-46). O julgamento terá o propósito de determinar que nações serão incluídas e quais as que serão excluídas no reino milenário de Jesus Cristo; basear-se-á no tratamento dado pelas nações, ao mensageiro do reino, qualificado como “pequeninos irmãos de Jesus”. Mt 25.40-45.

         As nações que rejeitaram os mensageiros de Cristo, serão lançadas fora e não participarão do reino milenário de Cristo. (Mt 25.41-46).

         As nações salvas participarão do reino milenário de Cristo e subirão todos os anos a Jerusalém para adorar o Rei Jesus Cristo. (Zc 14.9, 16-19; Is 19.23-25).

         Mas é evidente que multidões irão nascer durante aquele época (Zc 8.4-6; Jr 30.20; Is 65.20; Mq 4.1-5;) e estes terão que ser evangelizadas. Israel será quem evangelizará esses gentios. (Is 66.18,19; Zc 8.3,20-23).

  1. No tocante a Satanás.

         Estará nesse período controlando o Anticristo. Ap 13.2; II Ts 2.9-10.

         Antes da instituição do milênio, ele será acorrentado no abismo por mil anos. Ap. 20.1-3; Será solto no final do milênio. Ap. 20.7-8; Acontecerá a famosa guerra de Gogue e Magogue. Satanás sempre foi o grande inimigo de Deus, uma vez solto e irado, procurará revolucionar as nações contra o Messias, tentando debalde uma vitória, pois ele é astuto e não quererá reconhecer a sua derrota. Por fim, o Senhor porá à prova as nações. As demais se união a Satanás para a batalha final; será uma prova definitiva em que a fidelidade a Jesus será testada.

         Depois dessa Batalha vencida por Cristo, Satanás será julgado com seus anjos no grande trono branco e serão lançados no lago de fogo que é o seu destino. (Ap 20.10).

III. O MILÊNIO

         Millennium ( vocábulo latino ) significa o mesmo que CHILIADcilia ( vocábulo grego ), ambos que querem dizer “mil anos”. Ambos os termos são empregados em referência a um período de governo justo sobre a terra, que se prolongará por mil anos. Dá a entender que Cristo voltará antes do milênio. Isto é conhecido como a doutrina do pré-milenismo. Os que afirmam que Cristo voltará depois de um período de paz e justiça universal, crêem na doutrina do pós-milenismo. Os que negam que vai haver um milênio são partidários da doutrina conhecida como milenismo. A palavra “milênio” não aparece na Bíblia, mas os mil anos são mencionados seis vezes em Apocalipse 20.2-7.

      a) Seu início. Será na manifestação da sua vinda gloriosa à Terra, logo após os julgamentos preditos. II Tm 4.1; Mt 13.41.

b) Seu fim. Será logo após a libertação de Satanás e julgamento das nações apóstatas. Ap 20.3,7-9.

c) Seu caráter:

  1. Justiça plena. Is 32.1; 66.3; Zc 14.17-19; Jr 23.5,6.
  2. Conhecimento universal de Deus. Is 11.9; Jr 31.34; Is 2.3.
  3. Paz absoluta. Is 2.4; 9.6-7.
  4. Prosperidade plena. Is 35.1,2; 51.3; Am 9.13.
  5. Longevidade. Is 65.20; 33.24.
  6. O governo de Cristo será em toda a terra. Zc 14.9; Fl 2.10; Jr 25.5,6; Is 11.3,4; Sl 72.6-11.
  7. Ele reinará com um cetro de ferro. Sl 2.8,9; Ap. 2.27; 19.15.

IV. O JUÍZO FINAL.

         “Pela expressão juízo final entendemos um juízo geral de todos os justos e de todos os maus numa assembléia de vastas dimensões. Isto tem sido negado por alguns que pensam ocorrer o juízo de todo o homem na altura da morte, e por outros que julgam que somente os maus serão julgados no último dia. As Escrituras, entretanto, ensinam claramente haver um dia ou período de juízo que há de associar-se estreitamente com a conflagração no fim do mundo. Os céus que agora existem, e a terra, pela mesma palavra tem sido entesourados para o fogo, estando reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios (II Pe 3.7). Declara-se expressamente que estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça (At. 17.31). Também refere-se-lhe como o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus (Rm 2.16); o dia do juízo (II Pe 2.9); o grande dia (Jd 6); e o grande dia da ira (Ap 6.17). Estas passagens provam claramente três coisas: Haverá um juízo geral; terá lugar em tempo determinado, e este grande e terrível dia está no futuro.” ( H. Orton Wiley ). Ver ainda Eclesiastes 11:9; 12:14.

      A. Quem Julgará?

a) Deus é juiz sobre todos (Hb 12.23), mas desempenhará essa tarefa através de Jesus Cristo. Ele “ao Filho confiou todo o julgamento…porque é o Filho do Homem”. (Jo 5.22,23,27; Rm 2.16; 14.10-12 ).

b) Será auxiliado pelos santos. I Co 6.2,3; Sl 149.9; Ap 2.26,27; 3.21.

      B. Quem será Julgado?

      a) Os crentes. Rm 14.10; II Co 5.10; I Co 4.5; 3:11-15. Todo mundo terá que prestar contas do modo como usou os talentos (Mt 25.14-30), as minas (Lc 19.11-27), e das oportunidades (Mt 20.1-16) que lhe tiveram sido confiados. Aquele dia demostrará se o homem construiu com madeira, feno palha ou ouro, prata e pedras preciosas (I Co 3.11-15). Se do primeiro, suas obras serão queimadas, mas no entanto, ele será preservado, como através do fogo; se dos últimos, ele receberá um galardão. Ver as coroas: Ap 22.12; Tg 1.12; Ap 2.10; I Pe 5.4; II Tm 4.-7,8; I Ts 2.19-20; I Co 9.25-27; Jr 30.7; Ap 12.6,13-17.

     b) Dos judeus. O período de julgamento dos judeus dar-se-á na grande tribulação que há de vir sobre a terra. Nesse período apenas um remanescente selado em suas frontes será salvo. (Ap 7.1-8; Ml 3.2-5).

    c) A grande Babilônia. “Na figura de uma mulher, o apocalipse retrata para nós um sistema eclesiástico federado (Ap 17.1-19.5). Ela representa o resultado de todos os movimentos em prol da união das Igrejas que deixam Cristo e sua verdade do lado de fora. Temos aqui o desenvolvimento que será alcançado durante a tribulação. No começo a mulher domina a besta. Isto mostra que o sistema eclesiástico dominará, por algum tempo, o sistema político, mas os dez chifres (reis) se voltarão e odiarão a mulher, despojá-la-ão e a devastarão. Então, a besta se promoverá ao lugar de suprema autoridade religiosa. Parece haver coalizão definida entre as uniões religiosas e comerciais também “um dia Deus julgará e exterminará seus comércios e seus mercadores se lamentarão da sua destruição” Ap 19.1-4; 11.21.

   d) O dos incrédulos. Ap 20.11-15; 21.8. No julgamento das nações acontecerá na manifestação gloriosa de Jesus na sua segunda vinda. Já este julgamento dar-se-á após o milênio e reconhecido como o julgamento do grande trono branco onde grandes e pequenos serão julgados para a condenação, será uma espécie de homologação da condenação já pré estabelecida. (Jo 3.17-19,36; 12.47-49 ).

         “Os julgamentos de Deus começam do calvário, a favor dos crentes; prosseguem com o julgamento que os crentes devem impor a si mesmo, e abrangem em seu escopo o julgamento a que Cristo sujeitará a Igreja, Israel, As Nações, Satanás e seus anjos e, finalmente, os mortos ímpios.” (Bancroft).

V. A ETERNIDADE.

         Como já foi bem debatida a situação final dos incrédulos e suas penalidades, não vamos nos deter nesse assunto, mas trataremos das promessas bíblicas para aqueles que um dia foram lavados pelo precioso sangue de Cristo.

         É evidente que na visão escatológica de João em Apocalipse sobre o destino do justo, da Igreja do Senhor Jesus Cristo, há apenas algumas noções um tanto superficiais de como será a eternidade. É óbvio que há um certo enigma sobre a plenitude de bênção que Deus tem preservadas para os seus, se não fora assim perderia o caráter de surpresa. Ef 3.14-20; Rm 8.18.

         Vejamos então algumas das promessas para os redimidos na eternidade com Deus:

      A. A Nova Criação.

            “Haverá um novo céu e uma nova terra” Ap 21.1.

         “Diversas são as passagens das Escrituras que nos chamam a atenção para eles (Ap 21.1-2; Is 65.17; 66.22; II Pe 3. 10-13). São chamados “novos” mas isto não quer dizer que sejam “novos” no sentido absoluto da palavra; pois, “a terra permanece para sempre”. Ec 1.4; Sl 104.5; 119.90; nem o céu, nem a terra serão aniquilados”.

         “Nas passagens que falam que a terra e os céus passarão (Mt 5.18,24,34,35; Mc 13.30,31; Lc 16.17,21,33; II Pe 3.10; Ap 21.1), a palavra original nunca é uma que indique o término da existência, mas sim, ‘PARERCHOMAI’, que é um verbo de significado muito amplo e geral, tal como ir ou vir a uma pessoa, um lugar, ou a um ponto; passar, como uma pessoa por um banho, ou um navio pelo mar, passar de um lugar ou condição para outra, chegar a, passar através de, ir para dentro de, apresentar-se como quando se quer falar ou servir. Quanto ao tempo, significa ir até o passado, como acontecimento ou um estado de coisas. Que ele indica grandes transformações quando é usado para se referir à Terra e aos céus é bem claro, mas que alguma vez signifique aniquilação, ou o passar das coisas a um estado de não existência, não existe caso algum ou nas Escrituras ou no grego clássico que possa provar isso. A idéia principal é a de transição e não de aniquilação.” ( Dr. SEISS ).

      B. Como será a Futura Habitação dos Justos?

a) Um lugar santo. Ap 21.2.

b) Um lugar de grande beleza e esplendor. Ap 21.18; 22.15.

c) Lugar de terapia espiritual. Ap 21.4.

d) Lugar de alegria constante. Sl 16.11.

e) Lugar de segurança eterna. Ap 22.14.

f) Lugar de grande luz e glória. Ap 21.23.

g) Lugar de descanso. Ap 14.13.

h) Adoração constante. Ap 5.11-13.

i) Serviço diário sagrado. Ap 7.15.

j) Lugar de comunhão com Deus. Ap 22.3,4.

 

Conclusão:

                                                                                       Ap 22.6-17.

         “…A Escatologia não tem a missão principal de responder às perguntas suscitadas pela nossa curiosidade, mas sim de incentivar nossa responsabilidade para ouvir os imperativos e” guardar as palavras da profecia”. Cristo vem sem demora. (vs. 7,12). Não cabe a nós, homens, saber quando, mas apenas agir como bons servos que aguardam a chegada próxima do seu mestre. O Espírito que habita na Igreja (noiva) sempre motiva o povo verdadeiro de Deus a clamar “vem” (vs. 17, será MARANATHA no aramaico, que significa “Nosso Senhor, venha.” I Co 16.22), o imperativo vindo do coração fiel que ama o seu Senhor. Porém, a ansiedade que a noiva tem para que venha logo o noivo não apaga o espírito de evangelização. Os incrédulos são convidados a receber a graça da salvação com igual fervor junto ao pedido para o amado vir (vs. 17; Is 55.1-3). Na ocasião da vinda do noivo, ele trará junto seu galardão, recompensa correspondente às obras de cada cristão (vs. 12). Com relativa freqüência o Apocalipse nos tem lembrado que, a fidelidade será recompensada com galardões identificados particularmente nas sete cartas (Ap 2.7,11,17,26,28; 3.5,12,21; Rm 14.10; II Co 5.10 ).

         Antes de pronunciar a bênção final (vs. 21), Jesus adverte a qualquer falso profeta ou intérprete sem escrúpulo, que acrescentar ou cortar uma parte do livro (para modificar sua mensagem) será atrair a maldição divina sobre sua cabeça.” Dr. Russel Shedd.

 

                                                                                                          Pr Francisco Nascimento

 

Obs: Esse é um trabalho de pesquisa que aglutina os melhores pensadores sobre as doutrinas de Teologia Sistemática.

 

 

 

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