SANTIFICAÇÃO


TEOLOGIA SISTEMÁTICA

DOUTRINA DA SALVAÇÃO

 

SANTIFICAÇÃO

 

Introdução

“A Santificação trata, quase exclusivamente, de nosso estado, assim como a justificação trata da nossa posição. Na justificação somos declarados justos a fim de que, na santificação, nos tornemos justos. A justificação é aquilo que Deus faz por nós, enquanto a santificação é quase exclusivamente aquilo que Deus faz em nós. A justificação nos coloca em correta relação com Deus, legalmente, ao passo que a santificação demonstra o fruto dessa relação, experimentalmente, e isso através de uma vida separada do mundo pecaminoso e dedicada a Deus. A justificação nos torna seguros, enquanto a santificação nos faz sãos”. Bancroft.

A. A Natureza da Santificação

         Várias são as definições de santificação que têm sido apresentadas; João Wesley diz que a Perfeição Cristã “é apenas outro nome dado à santidade. São dois nomes diferentes dados à mesma coisa.” Mas ele tem o cuidado de dizer que a perfeição não implica em “isenção de ignorância, ou erro, ou fraqueza ou tentação.”

         Por santificação entende-se o ato de separação do uso comum, profano, para uso e propósito sagrado.

         “Podemos definir santificação como separação para Deus, imputação de Cristo para a nossa santidade, purificação do mal moral, e conformidade com a imagem de Cristo”. Hiessen.

         “Por santificação entende-se o processo de separar-se, ou o estado de separação para Deus e do mundo. É acompanhada por uma revelação de Deus.” Bancroft.

         Observa-se que ‘santidade’, e ‘consagração’ são sinônimos, como o são: ‘santificados’ e ‘santos’. Santificar é a mesma coisa que fazer santo ou consagrar. A palavra ‘santo’. tem os seguintes sentidos:

  1. Separação para Deus:

          “A separação para Deus pressupõe separação da impureza. Isto se refere particularmente às coisas inanimadas. Assim, Ezequias ordenou aos levitas que purificassem a casa do Senhor, tirando a imundícia daquele santuário (II Cr 25.5,15-19). Geralmente, pensamos apenas de modo positivo sobre a separação ou dedicação para Deus. Neste sentido, o Tabernáculo e o Templo foram santificados com todo o seu mobiliário e seus utensílios (Ex 40.10,11; Nm 7.1; II Cr 7.16). Neste sentido o homem também poderia santificar a sua casa ou parte do seu campo (Lv 27.14,16). O Senhor santificou os primogênitos de Israel para si (Ex 13.2; Nm 3.13; Ne 8.17). Santificou seu Filho (Jo 10.36) e o Filho a si mesmo santificou (Jo 17.19). Finalmente, neste sentido, os cristãos são santificados na hora de sua conversão ( I Co 1.1,2; I Pe 1.1; Hb 10.14). Jamais foi santificado antes de nascer (Is 1.5), e Paulo fala de ter sido separado desde o ventre de sua mãe (Gl 1.15). Thiessem.

  1. Purificação do Mal Moral.

         “A Purificação do mal moral, na realidade, nada mais é que outra forma de separação. Por isso havia um pedido para os sacerdotes que se santificassem  antes de se aproximar de Deus. (Êx. 19.22). Por isso, há um pedido para que o crente hoje se separe dos incrédulos de modo geral (II Co 6.17,18), dos mestres e doutrinas falsas (II Tm 2.21; II Jo 9,10), e de sua própria natureza má (Rm 6.11,12; Ef 4.22,25-32; Cl 3.5-9; II Co 7.1; I Ts 4.3-7). Pode-se notar que em algumas dessas referências, a santificação é tratada como um único ato, e, em outras, como um processo contínuo; em algumas, a purificação é mais de natureza externa, ao passo que em outras é essencialmente interna. Em todas elas, é considerada como um ato do homem, e não um ato de Deus. Já separou para si mesmo todo aquele que crer em Cristo; agora é a vez do crente se separar para Deus, para ser usado por Ele. (II Cr 20.5,18).

  1. Imputação de Cristo como nossa Santidade

         “A imputação de Cristo como nossa santidade acompanha a imputação de Cristo como nossa justiça. Ele se tornou justiça e santificação para nós (I Co 1.30). Paulo diz que “somos santificados em Cristo Jesus” (I Co 1.2). Esta santidade é obtida mediante a fé em Cristo (At 26.18). “A lavagem de água pela palavra” precedeu essa santificação (Ef 5.26). Assim o crente é reconhecido como santo bem como justo. Por  estar revestido com a santidade de Cristo. Nesse sentido todos os crentes são chamados de “santos” sem levar em consideração suas conquistas espirituais. (Rm 1.7; I Co 1.7; Ef 1.1; Fp 1.1.; Cl 1.1).

  1. Separados para o Serviço

         “A aliança é um estado de relação entre Deus e os homens no qual ele é o Deus deles e eles os seu povo, o que significa um povo adorador. A palavra ‘santo’ expressa essa relação contratual. Servir a Deus nessa relação, significa ser sacerdote; por conseguinte, Israel é descrito como nação santa e reino de sacerdotes (Êx 19.6). Qualquer impureza que venha desfigurar essa relação precisa ser lavada com água ou com o sangue da purificação.

         Da mesma maneira os crentes do Novo Testamento são ‘santos’, isto é, um povo consagrado. Pelo sangue da aliança tornaram-se ‘sacerdócio’ real, a nação santa….sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. (I Pe 2.9,5); oferecem sacrifícios de louvor (Hb 13.15) e dedicam-se como sacrifícios vivos sobre o altar de Deus (Rm 12.1).

         Assim vemos que o serviço é elemento essencial da santificação ou santidade, pois é esse o único sentido em que os homens, podem pertencer a Deus, isto é, como seus adoradores que lhe prestam serviço. Paulo expressou perfeitamente esse aspecto da santidade quando disse acerca de Deus: “De quem eu sou, e a quem sirvo” (At 27.23). Santificação envolve ser possuído por Deus e servir a ele.” Myer Pearlmen.

B. Ideias errôneas a Respeito da Santificação.

  1. “Não é perfeição absoluta, ou que só a Deus pertence e não pode ser aumentada ou diminuída. Mt 19:17.
  2. Não é perfeição adâmica (denominada algumas vezes, perfeição sem pecado) ou a Adão gozava antes de cair, quando tendo poderes ainda não afetados pelo pecado, ele podia obedecer integralmente as leis de Deus. Tal perfeição é impossível para nós, porque a queda nos torna imperfeitos, tanto em pensamentos como no físico.
  3. Não é infalibilidade ou estar livre de cometer erros ou pecados. No entanto, a santificação diminui a possibilidade de erros nas pessoas dirigidas pelo Espírito Santo, elas reconhecem a Deus em todos os seus caminhos, a Ele dirige os seus passos. Pv 3:6
  4. Não é isenção das enfermidades físicas ou mentais. Muitos dos melhores homens de Deus sofreram muito. No entanto a benção de santidade capacita o povo de Deus a glorificá-lo em todas as suas aflições e sofrimento e às vezes, exercitando a fé, acaba por alcançar a libertação deles. II Co 12:9
  5. Não é isenção de tentação. Ainda que “sem pecado” Jesus” foi tentado fortemente. Tanto mais adiantado se torna um homem em sua vida de santidade, tanto maior probabilidade haverá que Satanás o ataque. Santificação não traz isenção de tentação, e sim vitória sobre ela Tg 1:12.
  6. Não é um estado de graça do qual não haja possibilidade de queda. Satanás caiu do céu, e de igual modo Adão que não tinha pecado algum. I Co 10:12; (Manual I.M.W ).
  7. Não é legalismo. Ou observância de regras e regulamentos. Paulo ensina que a lei não pode santificar (Rm 6), assim como também não pode justificar (Rm 3). Esta verdade é exposta e desenvolvida na carta aos gálatas. Paulo não está de nenhuma maneira depreciando a lei. Ele está defendendo contra conceitos errôneos quanto a seu propósito.
  8. Não é através da tentativa de subjugar a carne e alcançar a santidade por meio de privações e sofrimentos. (Ascetismo). Como fazem alguns grupos religiosos.. (Myer Pearlmen)

C. O Tempo da Santificação.

         A santificação pode ser considerada no passado, presente e futuro, ou então como algo instantâneo, progressivo e completo.

  1. Instantânea ou Posicional. (I Co 1:2;6:11). As escrituras ensinam que no momento em que o homem crê em Cristo, é “santificado”. Fica evidenciado pelo fato dos crentes serem chamados de “santos” no N.T., independentemente de suas conquistas espirituais (I Co 1:2; Ef 1:1; Cl. 1:2; Hb. 10:10; Jd 1,3). Falando sobre os Coríntios, Paulo declara de modo bem explícito que haviam sido santificados ( I Co 6:11 ), embora também declarem que ainda eram carnais (I Co 3:3). Em sua segunda carta, ele insta com eles para aperfeiçoarem sua santidade, nos termos de Deus (II Co 7:1), em Efésios fala do aperfeiçoamento dos santos” (4:12), e exorta seus leitores a andar como convém a santos ( 5:3 ). Em Tessalonicenses, afirma que seus leitores já estão “santificados”, e, a seguir, ora por sua santificação (II Ts 2:13; I Ts 5:23-24).

         “Há certos sentidos, por conseguintes, em que cada verdadeiro crente já está santificado, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, feita “uma vez por todas”, fomos separados do pecado e separados para Deus – ‘aperfeiçoados para, sempre’ no que concerne à nossa posição perante Deus. Em Cristo, portanto, obtivemos uma nova posição tanto moral como judicial, tanto na santidade como na justiça. ‘Hb 10:9,10,14; I Co 1:30,31; Gl 6:14; Ef 1:6; Cl. 2:10; Hb 9:26.

         A regeneração, a justificação, a conversão e a santificação posicional são atos concomitantes e acontecem no dia em que a pessoa deposita a fé em Cristo Jesus.

  1. Progressiva ou Contemporânea na vida terrena do crente. (II Co 7:1; II Co 3:18; Ef 4:11-15; I Ts 3:12;4:1,9,10).

         Todos os cristãos são separados para Deus em Jesus Cristo; e dessa separação surge a nossa responsabilidade de viver para Ele. Essa separação deve continuar diariamente. O crente deve esforçar-se sempre para estar conforme a imagem de Cristo. ‘A santificação é obra da livre graça de Deus, pela qual o homem todo é renovado segundo a imagem de Deus, capacitando-nos a morrer para o pecado e viver para a justiça. “Isto não quer dizer que vamos progredir até alcançar a santificação da qual já participamos.

  1. Santificação Completa e final. (I Ts 5:23; Fl 3:12-14; I Jo 3:2)

         Esta fase tem a ver com a consumação e o aperfeiçoamento da santificação do crente. Este será então completo, nada faltando, em tudo semelhante a Cristo. Será completamente livre de pecado e perfeito em santidade.

         “A santificação tem início no começo da salvação nesta terra, e atingirá o seu clímax e perfeição quando Cristo voltar.” (Bancroft)

         “A Santificação final e completa aguarda o aparecimento de Cristo. Não importa quanto tivermos progredido na vida de santidade, completa conformidade com Cristo só então será obtida quando “vier o que é perfeito” e “o que é em parte será aniquilado” (I Co 13.10). Fomos livrados da culpa e castigo do pecado, estamos sendo salvos do poder do pecado, e seremos salvos no final até da presença do pecado. Nossa salvação da presença do pecado terá lugar quando virmos o Senhor, ou na morte (Hb 12.13) ou quando ele voltar (Hb 9.28; Jd 23,24; Ts 3.13; I Jo 3.2). Será impossível pecar depois que isso acontecer (Ap 2.7;22.11). O corpo da carne será glorificado ( Fp 3.20,21; Rm 8.23,24)  e tornará o instrumento perfeito de obediência a Deus. O prospecto desta completa conformidade à imagem de Cristo deveria compelir-nos a nos despojar agora de tudo que é impuro em nossas vidas (I Jo 3.2,3).” Thiessen.

         Perfeição Cristã: Há dois tipos de perfeição: Absoluta e Relativa. É absolutamente perfeita aquilo que não pode ser melhorado; isso pertence unicamente a Deus. É relativamente perfeito aquilo que cumpre o fim para o qual foi designada, essa perfeição é possível ao homem.

         A palavra “perfeição” no Antigo Testamento significa ser “sincero e reto” (Gn 6.9; Jó 1.1). Ao evitar os pecados das nações circunvizinhas, Israel podia ser uma nação “perfeita” (Dt 18.13). No Antigo Testamento a essência da perfeição é o desejo e a determinação de fazer a vontade de Deus. Apesar dos pecados que mancharam sua carreira, Davi pode ser chamado perfeito e um homem segundo o coração de Deus; porque o motivo supremo da sua vida era fazer a vontade de Deus.

         No Novo Testamento a palavra “perfeito” e seus derivados tem uma variedade de aplicações, e, portanto deve ser interpretado segundo o sentido em que os termos são usados. Várias palavras gregas são usadas para expressar a idéia de perfeição: 1 ) uma dessas palavras significa ser completo no sentido de ser apto ou capaz para certa tarefa ou fim. (II Tm 3.17). 2 ) Outra denota certo fim alcançado por meio do crescimento mental e moral. Mt 5.48; 19,21; Cl 1.28; 4.12; Hb 11.40). 3) A palavra usada em (II Co 13.9; Ef 4.12; e Hb 13.21) significa um equipamento cabal. 4) A palavra usada em II Co 7.1 significa terminar, ou trazer uma terminação. A palavra usada em Ap 3.2 significa fazer repleto, cumprir, encher (como uma rede), nivelar (um buraco).

         A palavra ‘perfeito’ descreve os seguintes aspectos, da vida cristã. 1) Perfeição posição em Cristo (Hb 10.14) – o resultado da obra de Cristo por nós. 2) Madureza e entendimento espiritual em contraste com a infância espiritual (I Co 2.6;14.20; II Co 13.11; Fl 3.13; II Tm 3.17). 3) Perfeição progressiva. (Gn 3.3). 4) Perfeição em certos particulares: a vontade de Deus, o amor ao homem, e serviço. (Cl 4.12; Mt 5.48; Hb 13.21) 5. Perfeição final do indivíduo no céu. (Cl 1.28,22; Fl 3.12; I Pe 5.10). 6) A perfeição final da Igreja, ou o corpo de Cristo, isto é, o conjunto de crentes. (Ef. 4.13; Jo. 17:23). Myer Pearmen.

D. Os Meios de Santificação.

         Tal como aspectos da salvação do crente, a santificação é realizada de modo duplo. Há uma parte que somente Deus pode desempenhar, e o faz. Há outra parte que pertence ao homem, pela qual ele é responsável.

  •  Pelo lado divino. (Através da tri-unidade de Deus).

a) Pela obra do Pai. I Ts 5.23,24. João 17.17.

b) Pela obra do Filho (através do seu sangue remidor). Ef 5.25,26; Hb 10.10,14; 13:12; I Jo 1.7.

c) Pela obra do Espírito Santo. II Ts 2.13; I Pe 1.2; I Co 6.11; Rm 15.16.

  • Pelo lado Humano.

a) Através da fé na obra de Cristo. At 26.18.

b) Através da Palavra de Deus. Jo 17.17;15.3; Sl 119.11; Ef 5.26.

c) Através da nossa completa dedicação a Deus. Rm 12.1,2; Jo 17.18,19.

d) Através da renúncia ao pecado e a tomar posse da santidade. Rm 6.18,19; Tt 2.11,12.

 

                                                                                                        Pr Francisco Nascimento

 

Obs:  Esse é um trabalho de pesquisa que aglutina os melhores pensadores sobre as doutrinas de Teologia Sistemática

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s