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ELEIÇÃO, PREDESTINAÇÃO E LIVRE ARBÍTRIO


TEOLOGIA SISTEMÁTICA
DOUTRINA DA SALVAÇÃO 

ELEIÇÃO, PREDESTINAÇÃO E LIVRE ARBÍTRIO

 

A. Predestinação sob o ponto de vista de João Calvino:

  • Sua biografia:

      Suas datas foram 1509-1564. Teólogo protestante francês, líder eclesiástico e denominacional. Nasceu na Picardia, e estudou filosofia na Universidade de Paris, entre 1523 e 1527. Também estudou em Orleães e Bourges. Era uma pessoa dotada de mente brilhante, e um estudante extremamente diligente. Teodoro Beza, seu biógrafo, informa-nos que ele era um crítico severo das falhas dos seus colegas estudantes. A. D.

  • Sua doutrina. (Cinco pontos do Calvinismo). Predestinação ou Determinismo Absoluto.

       1. Depravação Total:

  “A palavra depravação neste contexto não tem o sentido popular. Trata-se do pecado, da inabilidade humana diante de Deus. Conforme o pensamento bíblico o homem foi originalmente formado segundo a imagem de Deus. Seu entendimento foi adornado de bênçãos espirituais; seu coração e vontade eram justos; todas as suas afeições eram puras; o homem todo era santo. Mas revoltando-se contra Deus pela instigação do demônio, e abusando da liberdade da sua própria vontade, Ele transtornou o uso destes excelentes dons, tornando-se cego de entendimento, caindo em horrível vaidade, tornando-se totalmente pervertido e incapaz de qualquer ato bom, aos olhos de Deus com o coração e vontade obscurecidos, impuro em todas as suas afeições. Sua descendência toda tem sido corrupta.” A.D. Rm 5.12; Rm 3.10-12; Is 1.7.

       2. Eleição Incondicional:

        “Na visão tradicional: desde que todos os homens pecaram em Adão e jazem sob maldição, Deus não faria nenhuma injustiça se lhes permitisse permanecer na sua punição merecida; mas, em sua infinita misericórdia, proveu Ele a salvação através do Evangelho de Cristo, para que todos os que nele crêem não pereçam, mas tenha a vida eterna. O fato de alguns receberem de Deus o dom da fé, e outros não, pertence ao mistério de Deus. Eleição é o propósito imutável de Deus, que caiu do seu estado primitivo de retidão, um certo número de pessoas para a redenção em Cristo, aos quais Ele apontou desde toda a eternidade, o Mediador e Cabeça dos Eleitos, e Fundamento da salvação. Tudo isso Deus fez, segundo o soberano favor da sua vontade. Eles eleitos, ainda que não tenham nada de melhor nem mereçam mais do os outros, Deus ‘decretou’ dar-lhes Cristo para que fôssemos por Ele salvos. Dotou-os da verdadeira fé, conversão, justificação, santificação e perseverança final.” A.D. Ef 1.4,5,6; Rm 8.29,30; At 13.48; I Ts 1.4; II Ts 2.13; I Pe 2.9; Rm 9.11-13; 11.7.

         3. Expiação limitada:

  “Dizia Calvino que a morte de Cristo foi suficiente para todos, mas eficiente só para os eleitos; e já sabemos que uns são eleitos e outros reprovados. Segundo Ele a morte expiatória de Cristo se estende somente aos eleitos trazendo-os à salvação infalível. O fato de nem todos serem salvos não diminui o valor do sacrifício, ‘’e de infinita dignidade e valor, abundantemente suficiente para expiar os pecador do mundo inteiro.” Jo 10.14,15; 17. 6-10; At 20.28; Ef 5.25.

         4. Graça irresistível, ou melhor, eficaz:

  “Segundo Calvino todos quantos são chamados concordam com o chamado. Na verdade Deus chama a todos pelo Evangelho, mas nem todos atendem, segundo se depreende das advertências bíblicas a respeito da perdição. Certamente não há falha do Evangelho, nem do Cristo nele oferecido, nem do Deus que chama a todos pela sua Palavra. O fato de muitos recusarem vir a Ele e se converterem (segundo Mt 20.16 “muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”), assumindo tal atitude por sua própria conta, é ainda um aspecto do mistério de Deus sob cuja jurisdição tudo existe.

O fato de que outros que são chamados pelo Evangelho obedeceram o chamado, deve ser atribuído a Deus, que, como os tem escolhidos por si mesmo desde toda a eternidade em Cristo, também o chama efetivamente no tempo, conferindo-lhe a fé e arrependimento, tira-os do poder das trevas e os coloca no reino de seu próprio Filho, para que possa mostrar o louvor daquele que o chamou das trevas par a sua maravilhosa luz. Os eleitos não podem se gloriar por terem sido eleitos. A Deus toda a glória, pela justiça revelada na cruz e nos que se perdem. Pelo amor incondicional revelado na cruz e  nos que se salvam.” A.D. Jo 15.16; I Co 2.12; Rm 8.28-30.

       5. Perseverança dos Santos:

       “Finalmente, e por razões lógicas, os que são chamados de ‘salvos’, tornam-se incapazes de cair e se perderem. A isso se chama ‘Perseverança dos Santos’. A formulação do pensamento calvinista do Sínodo de Dort afirmou mais uma vez a perseverança dos santos. “Aqueles que Deus chamou de acordo com o seu propósito, à comunhão de Seu filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e regenera pelo Espírito Santo, Ele os livra da natureza pecaminosa e enfermidades de sua carne, por mais que vivam neste mundo.” A.D.

      Os que são convertidos não poderiam permanecer no estado de graça por causa de sua natureza pecaminosa e tentações do mundo, se não fossem guardados pelo mesmo Deus que os chamou. “Mas é fiel, que tendo lhes conferido graça, mesericordiosamente confirma e poderosamente os preserva para sempre.” Hb 12.2; Fl 1.6; Lc 10.20; Ef 1.5,11; Rm 11.5; II Pe 1.10.

B. Livre Arbítrio sob o ponto de vista de Armínio:

  • Sua Biografia:

      “O nome ‘arminianismo’ se deve ao seu fundador, Tiago (James) Armínio (1560-1609). Estudou com Teodoro Beza em Geneva. Foi ministro em Amsterdam (1588), professor de teologia em Lyeden (1603). Inicialmente era um calvinista sincero. Depois, fazendo um estudo sobre o calvinismo, tornou-se-lhe opositor, convertendo-se à doutrina da graça universal e liberdade de vontade. Da oposição de Armínio ao Calvinismo surgiu uma séria controvérsia. Depois da morte de Armínio, seus principais discípulos se tornaram líderes da parte arminiana. A controvérsia tornou-se tão grave, tomando até mesmo cores políticas, que foi preciso convocar um Sínodo para por fim a questão. Este Sínodo reuniu-se em Dort, na Holanda; é chamado Sínodo de Dort. Durou de 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619. Mais de cem delegados compareceram ao Sínodo, todos de grande projeção. As sessões do Sínodo eram públicas e acaloradas. Os arminianos levaram as suas doutrinas assinadas sob a forma de um manifesto com o nome de RIMONSTRANCE. Daí o nome deles: REMONSTRANTES. Os calvinistas levaram as suas respostas assinadas sob a forma de um contra-manifesto. Os arminianos discutiram cinco pontos no seu manifesto: predestinação, extensão da expiação, natureza da fé, resistibilidade da graça e perseverança dos santos.”

  • Sua doutrina: (Os cinco pontos arminianos).
  1. Deus elege ou reprova com base na fé ou na incredulidade prevista. Os que respondem favoravelmente ao Espírito Santo são predestinados. I Pe 1.2.
  2. Cristo morreu por todos os homens, a expiação é suficiente para salvar todos os homens, mas somente os que aceitam o Salvador é que são salvos. I Tm 4.10; 2.3-6; II Co 5.14,15; At 17.30; II Pe 3.9; Is 55.1; Ap 22. 17; Jo 1.12.
  3. A humanidade está corrompida pelo pecado (depravada), mas Deus oferece graça que o habilita a voltar-se para Cristo e receber a salvação. Mt 11.28.
  4. Pode-se resistir à Graça divina. O homem foi criado naturalmente como um ser moral, portanto, responsável em resistir ou aceitar a graça de Deus.
  5. O indivíduo pode cair da graça e perder a salvação que antes possuía, haja vista que ele é um ser que tem Livre Arbítrio. Hb 6.4-8; 10.26-39; II Pe 2; I Tm 4.1-4.

Observação: A questão do perigo de perder a salvação, como um dos pontos do Arminianismo, é o exagero em se pensar que um dia se está salvo e outro perdido. É evidente que em Cristo temos certeza de nossa salvação e uma coisa só pode nos afastar de tão grande salvação: o pecado deliberado ou a rejeição voluntária de Cristo. II Tm 2.11-13; Ez 18.4, 20-32.

                                                        Pr Francisco Nascimento

 

Obs: Esse é um trabalho de pesquisa que aglutina os melhores pensadores sobre as doutrinas de Teologia Sistemática

 

 

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