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A DOUTRINA DO PECADO


TEOLOGIA SISTEMÁTICA

A DOUTRINA DO PECADO

( HAMARTIOLOGIA)

 

Introdução:

          “Em toda a religião há uma verdade ou um erro principal que, como o primeiro ele de uma cadeira, necessariamente leva consigo todas aquelas partes com as quais se encontra essencialmente ligado. Este princípio capital do cristianismo… é a doutrina do nosso estado decaído e perdido, pois se o homem não está em desacordo com o Criador, para que precisaria de um mediador? Se não é uma criatura depravada e indigna, que necessidade teria de um  restaurador e precioso Salvador como o filho de Deus? Se não se encontra escravizado pelo pecado, por que é remido por Jesus Cristo? Se não é imundo, por que tem de ser lavado no sangue do cordeiro imaculado? Se a sua alma não está enferma, por que há de precisar de um médico Divino? Se não é um coitado e miserável, por que é convidado continuamente a assegurar-se da ajuda e consolação do Espírito Santo? Numa palavra: Se não é nascido em pecado, por que é o novo nascimento tão absolutamente necessário, a ponto de Cristo declarar em termos os mais solenes que sem ele ninguém poderia ver o reino de Deus?” (Fletcher de Madeley).  

         “A Hamartiologia, ou Doutrina do Pecado, é considerado freqüentemente como ramo da Antropologia, a ciência do homem. Como tal, refere-se ao homem no seu estado decaído. A palavra “Hamartiologia” é derivada de um dos muitos termos gregos usados para expressar a idéia do pecado. O termo é aplicável ao pecado, quer seja considerado como ato, quer como estado ou condição. Significa um desvio do fim ou da rota marcada por Deus.” (H. Orton Wiley e Paul T. Culbertson, Introdução à Teologia Cristã, pág. 185) .

 

I. A ORIGEM DO PECADO

         Para entendermos melhor a origem do pecado, nós temos que transcender a esfera física, material e observarmos que em primeiro lugar o pecado se originou na esfera Angelical com Satanás (Ap 12.7-9). E depois é que se realizou na esfera física, material com Adão.

    A. No Mundo Angelical. (Com Satanás).

         Como falamos anteriormente no estudo de Angelologia, os anjos que foram criados perfeitos e santos, grande parte destes, seguindo a liderança de Satanás, se rebelaram contra Deus, estabelecendo o que podemos qualificar como a origem do pecado no mundo angelical.

    B. Na Raça Humana. (com Adão).

         A Bíblia ensina que a origem do pecado na História da raça humana, foi a transgressão voluntária de Adão no Éden. O homem deu ouvido à insinuação do tentador, de que, se ele comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal seria igual a Deus, em assim fazendo rebelou-se  contra Deus, recebendo a justa paga pelo seu pecado. Gn 3.

      C. Deus não é o autor do pecado.

         Na ignorância de muitos pode-se até pensar que sendo Deus o Criador de todas as coisas, também seria o autor do pecado. Fica-se evidenciado em toda a Escritura que Deus não é o autor do pecado “e que ninguém ao ser tentado diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e Ele a ninguém tenta.” (Tg 1.12,13); “Longe de Deus o praticar Ele a perversidade, e do Todo-Poderoso o cometer injustiça.” (Jó 34.10); ver ainda Hc 1.13.

         O pecado é o antagonismo do bem, sendo a criatura criada com livre arbítrio, fica ele livre para escolher o viver o bem ou o mal; ela não é uma máquina nas mãos de Deus. A decisão é pessoal e a responsabilidade também.

         Existe um versículo em Isaías 45.7 que pode dar a entende  que Deus é o autor do pecado se for mal interpretado; mas a interpretação deste versículo é que o “mal” citado aqui vem da palavra hebraica “ra” que dá a idéia de adversidade ou calamidade e evidentemente foi empregado aqui dessa forma. Deus fez a tristeza e a desgraça como frutos certos do pecado.

II. A NATUREZA DO PECADO

         Para se entender melhor o que significa o pecado e todas as suas implicações se faz necessário considerarmos em duas formas  negativamente e positivamente.

     A. Negativamente. O que não é pecado ajuda a compreender o significado exato dele.

  1. Não é um acidente, algo involuntário. Rm 5.12.
  2. Não é mera debilidade da criatura pela qual não ser responsabilizado ou tido por culpado.
  3. Não é mera ausência do bem, nem falta de retidão positivas, não é simples negação. Rm 7.14.
  4. Não é um bem da infância (uma imaturidade) I Jo 3.4.

     B. Positivamente. (O que é pecado).

  1. É ter atitudes erradas para com Deus. Pv 24.9; 21.4; Nm 21.7.
  2. É errar o alvo. ( como arqueiro que atira mas erra, do mesmo modo, o pecador erra o final da vida. Errar o caminho, como o viajante que sai do caminho certo.
  3. Dívidas. Mt 6.12 (“O homem ‘deve’ de dívida a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida. Incapaz de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão da dívida”.)
  4. Desordem. “O pecado é iniquidade”. (literalmente “desordem”, I Jo 3.4; o pecador é um rebelde e um idólatra porque deliberadamente quebra um mandamento, ao escolher sua própria vontade em vez de escolher a vontade de Deus; pior ainda, está-se convertendo em lei para si mesmo e, dessa maneira, fazendo eu uma divindade”.)
  5. Desobediência. (literalmente, “ouvir mal”, “ouvir com falta de atenção”. Hb 2.2. “Vede como ouvir”. Lc 8.18)
  6. Transgressão. (literalmente, “ir além do limite” Rm 4.15. “Os mandamentos do Senhor são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para a sua alma”.
  7. Queda. “ou falta, ou cair para um lado (Ef 1.7) no grego, donde é conhecida a expressão, cair de um padrão de conduta.”
  8. Impiedade. (“Vem de uma palavra que significa “sem adoração, ou reverência”.) Rm 1.18; II Tm 2.16.
  9. Rebeldia e obstinação. I Sm 15:23.
  10. Incredulidade. Jo 16.8,9.
  11. Omissão. Tg 4.17.
  12. Besta feroz. Gn 4.7 O pecado é nominado pela primeira vez na Bíblia é descrito como animal feroz pronto para lançar-se a quem der oportunidade. Ver ainda I Pe 5:8.

Pensamento: Uma das definições mais familiares do pecado é a de João Wesley: “O pecado é a transgressão voluntária de uma lei conhecida.” O Dr. Raymond ressalta a natureza dupla do pecado quando diz:  A ideia primária designada pelo termo pecado nas Escrituras é falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer seja ato, em caráter ou em estado.

      C. A universalidade do pecado.

         O pecado é algo comum em todos os lugares, em todas as Nações, tribos e povos. É nesse sentido que dizemos que o pecado ultrapassa as fronteiras sociais, culturais e geográficas. Há muitas formas de se tentar aplacar o mal, desde o auto-sacrifício, até o sacrifício de terceiros, ações humanitárias e etc. Geralmente feitos por pagãos, pessoas que n     ao entenderam que o único sacrifício aceitável já foi realizado por Jesus na cruz do calvário.

         As Escrituras afirmam: “Não há ninguém que não peque.” I Rs 8.46. “Porque à tua vista não justo nenhum vivente.” Sl 143.2. “Quem pode dizer: purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?” Pv 20.9. “Se vós, que sois maus…” Lc 11.13; “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado”. Gl 3.22; “Porque todos tropeçamos em muitas coisas…” Tg 3.2; “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos e a verdade não está em nós.” I Jo 1.8; e outros semelhantes em Rm 3.10-12,19,23; Ec 7.20. Isto é mostrado também pelo fato de que a condenação recai sobre todos os que não aceitaram a Cristo como Salvador. Jo 3.18,36; I Jo 5.12,19; e que a expiação, regeneração e arrependimento são necessidades universais. Jo 3.16; 6.50; 12.47; At 4.12; 17.30.

       D. O pecado original.

         “A pecaminosidade universal não está limitada a atos de pecado; ela inclui também a posse de uma natureza pecaminosa. As Escrituras se referem a atos pecaminosos e inclinações em direção à sua fonte, a natureza corrupta. “Não há árvore boa que dê mau fruto…o homem mau, do mau tesouro tira o mal.” Lc 6.43-45; Mt 12.34. Declara-se que todos os homens são por natureza, “filhos da ira” (Ef 2.3); e a morte, o salário do pecado, alcança mesmo aqueles que não pecaram pessoal ou inconscientemente (Rm 5.12-14). Tudo isto foi mencionado acima, mas é repetido aqui para provar que a posse de uma natureza carnal é característica entre os homens, universalmente.

         Se, então, todos os homens são pecadores como podemos  explicar esta situação? Um efeito tão universal deve ter uma causa universal. As Escrituras ensinam que o pecado de Adão e Eva constituiu pecadora toda a sua posteridade (Rm 5.19, “pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores”), isto é, o pecado de Adão e Eva foi imputado, reconhecido e cobrado de todos os membros das raças. É por causa do pecado de Adão que viemos ao mundo com uma natureza depravada e sob a condenação de Deus. (Rm 5.12; Ef 2.3) (Henry Thiessen, Palestras em Teologia Sistemática, pag. 183)

         Pensamento: “O pecado inerente, ou pecado original. O efeito da queda arraigou-se tão profundamente na natureza humana que Adão, como pai da raça, transmitiu a seus descendentes a “tendência ou inclinação para pecar.”(Sl 51.5; Rm 7.14-21). Esse impedimento espiritual e moral, sob o qual os homens nascem, é conhecido como pecado original. Os atos pecaminosos que se seguem durante a idade de plena responsabilidade do homem são conhecidos como “pecado atual”. Cristo, o segundo Adão, veio ao mundo resgatar-nos de todos os efeitos da queda. (Rm 5.12-21). (Myer Pearlman, Conhecendo as Doutrinas Bíblicas, pág. 93).

        E. Pecado Atual.

         O pecado se originou num ato de livre vontade de Adão como representante da raça humana; uma transgressão da lei de Deus e uma corrupção da natureza humana que deixou o homem exposto em juízo e castigo de Deus é esta natureza corrompida a fonte donde fluiu todos os pecados atuais, diários.

         A diferença entre pecado original e pecado atual é que, os pecados atuais são aquelas ações externas que se executam através do corpo. São também todos aqueles maus pensamentos conscientes. São os pecados individuais de fato.

         O pecado original é só, enquanto o pecado atual desdobra-se em diferentes classes, tais como: atos ou atitudes.

         O apóstolo João em sua I Epístola no capítulo 1.8,9 parece dar a entender essa diferença.

III. A CONSEQUÊNCIA DO PECADO

      A. Para Adão e Eva em particular.

  1. Evidente perda de aparência pessoal apropriada, acompanhada da consciência de nudez e senso de vergonha. Gn 3.7.
  2. Medo de Deus. Gn 3.8-10.
  3. Expulsão do Jardim. Gn 3.23,24.

       B. Para a raça em Geral.

         Visto que Adão era o cabeça federal da raça humana, sua ação foi representativa, por conseguinte, aquele pecado além de individual, foi ao mesmo tempo racial. Houve, portanto, resultados que caíram sobre toda a espécie humana em conseqüência do pecado de Adão.

  1. “A terra foi amaldiçoada para não produzir apenas o que é bom, exigindo trabalho laborioso por parte do homem.” Gn 3.17,19; Rm 8.20.
  2. Multiplicação dos sofrimentos da gravidez da mulher e ela foi destinada a ser governada pelo seu marido. Gn 3.16.
  3. Todos os homens são pecadores e estão debaixo da condenação. Pecado herdado ou tendência natural para pecar. Rm 5.12; 3.19; 3.9,10,22,23; Is 53.6; Gl 3.10; Ef 2.3; Jo 3.36.
  4. Morte física e espiritual, dentro do tempo, e na penalidade ameaçada da morte eterna. Gn 2.17; Rm 6.23; Ez 18.4; Gn 5.5.

        Na Bíblia há três tipos de mortes: Morte espiritual (Ef 2.1; I Tm 5.6; com Lc 9.60).      Morte física (Hb 9.27). Morte eterna (Ap 21.8; II Ts 1.8-10).

  1. Existência física reduzida. Gn 6.3.
  2. A vontade do homem redunda em ser oposta à de Deus. Rm 8.7,8.
  3. Os homens não redimidos acham-se escravizados por Satanás e são considerados filhos do diabo. Rm 7.14-24; I Jo 3.8-10; Jo 8.33-35; Ef 2.3; Jo 4.44; I Jo 5.19.

 

 

                      Pr Francisco Nascimento

 

Obs: Esse é um trabalho de pesquisa que aglutina os melhores pensadores sobre as doutrinas de Teologia Sistemática

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