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A DOUTRINA DOS HOMENS


Teologia Sistemática

A DOUTRINA DOS HOMENS

(ANTROPOLOGIA)

 

Introdução

         O fundamento e a razão da religião Cristã apoia-se numa relação vital entre duas pessoas: Deus e o homem. Portanto, para que a teologia seja fiel à proporção e significado, deve-se prender não só ao estudo da revelação de Deus, mas também do homem.

        É necessário conhecermos suficientemente o homem para não cairmos em erros irreparáveis na abordagem da doutrina Bíblica. Um erro da nossa parte quanto à origem, propósito da existência e futuro do homem dificultará a nossa compreensão do propósito de Deus para com a humanidade total.

I. A ORIGEM DO HOMEM

  •     A Bíblia declara categoricamente: o homem foi criado por Deus. Gn 1.26; 2.25.
  •     A primeira parte da criação é descrita de forma genérica (Gn 2.3); reúne a criação do homem com a obra da criação; a última parte refere-se ao homem de um modo particular.
  •     Fica evidenciado que a obra da criação do homem foi uma obra especial; todas as obras por Deus criadas foi através da sua palavra; já o homem foi uma ação plena, ou seja, a palavra: “Façamos”, é a ação: com suas próprias mãos “Formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra.” Gn 2.7; Ec 12.7.
  • Fica também destacado que o único ser criado que recebeu a “imagem e semelhança de Deus”, foi o homem.
  •  Com essas afirmações Bíblicas, reveladas por Deus, cai por terra a teoria da evolução do homem sustentada por Darwin. Três fatos devemos considerar.

        1º. “A teoria da evolução apresenta o homem como alguém que se elevou de uma ordem inferior; ao passo que as Escrituras declaram que sua origem é devido à ação criadora de Deus”. A.D.

        2º. “A teoria da evolução apresenta o homem como resultado de sucessivas alterações nas formas materiais devida às forças latentes na matéria; ao passo que as Escrituras declaram que o ser físico do homem é resultado da ação de Deus, que partiu do exterior.” Idem

        3º. “A teoria da evolução apresenta o homem como o clímax do desenvolvimento que ascendeu desde as formas mais inferiores da vida animal; ao passo que a Bíblia declara que o homem pertence à ordem humana, distinta de todas as outras, e que passou a ter seu ser de modo imediato e direto.” Idem

  • Duas refutações à teoria da evolução merecem bastante credibilidade:

        1ª. A imutabilidade das espécies. (Comprovação científica).

        “O que constitui uma espécie? Uma classe de plantas ou animais que tenham propriedades e características comuns, e quer se possam propagar indefinidamente sem mudarem essas características, constitui espécie. Uma espécie pode produzir uma variedade, isto é, uma ou mais plantas ou animais isolados possuindo uma peculiaridade acentuada que não seja comum à espécie em geral. Por exemplo, um tipo especial de cavalo de corrida pode ser produzido por processo especial; mas é sempre cavalo. Quando se produz uma variedade e essa se perpetua por muitas gerações temos uma raça. De  maneira que na espécie canina (cão) temos muitas raças que diferem consideravelmente uma das outras; porém, retém certas características que as marcam como pertencentes à família dos cães . Ao lermos que Deus fez cada criatura segundo a sua espécie, não dizemos que Deus as fez incapaz de se desenvolverem em variedades novas. Queremos dizer que ele criou cada espécie distinta e separada e colocou uma barreira entre elas, de maneira que, por exemplo, um cavalo não se deveria desenvolver de maneira que se transformasse em animal que não seja cavalo.

        Qual é a prova pela qual se conhece a distinção entre  as espécies? A aprova é esta: se os animais podem cruzar-se, e podem produzir uma descendência fértil por tempo indefinido, então são da mesma espécie; de outra maneira, não o são. Por exemplo, sabe-se que os cavalos e os jumentos são diferentes espécies, é, embora do cruzamento da égua com o jumento resulte a mula, esta não tem capacidade de gerar outra mula, ou seja, a espécie mula. Este fato constitui um argumento contra a teoria da evolução, pois mostra claramente que Deus colocou barreiras entre as espécies para que não se transforme em outra. (Myer Piermer, Conhecendo as Doutrinas Bíblicas, pág. 169)

        2ª. Do próprio texto sagrado.

         Em Isaías 43.7 ilustra o significado desses três verbos: “… os criei (Bara) para a minha glória. (Isto é, produzi-os do nada); e que formei (Asah); (isto é, fi-los existir numa forma determinada); e fiz (Yatzar), (isto é, preparei as disposições e arranjos finais referentes a eles).”     As Escrituras mostram, clara e enfaticamente, que o homem é o resultado de atos imediatos, especiais, criativos e formativos de Deus.

II. SUA NATUREZA

        As Escrituras demonstram a condição original do homem com a frase: “a imagem e semelhança de Deus.” Gn 1.26,27; 5.1; 9.6; I Co 11.7; Tg 3.9.

        Vamos analisar em que consiste essa imagem e semelhança com Deus:

A. Não em semelhança física:

           Já que Deus é espírito; ou seja, não tem corpo físico, material; não é com esta imagem e semelhança que falou ele. Jo 4.24; 1.18; Lc 24.39.

B. Foi em semelhança mental; pessoal – tanto Deus como o homem possuem personalidade.

Pensamento: “Deus é espírito; a alma do homem é um espírito. Os atributos essenciais de um espírito são Razão, Consciência e Vontade. Um espírito é um agente racional, moral e, portanto também livre. Ao criar o homem à sua própria imagem, portanto, Deus o dotou com aqueles atributos que pertencem à sua própria natureza como espírito. O homem assim difere de todos os outros habitantes deste mundo, e está imensuravelmente acima deles. Ele pertence à mesma ordem de seres que o próprio Deus, e é, portanto capaz de ter comunhão com seu Criador. Esta conformidade de natureza entre o homem e Deus… é também a condição necessária para nossa capacidade de conhecer a Deus, e, portanto o fundamento de nossa natureza religiosa. Se não fôssemos semelhantes a Deus, não poderíamos conhecê-lo. Seríamos como as bestas que aparecem.” (Hodge).

C. Foi em semelhança moral. Cl 3.10; Ef 4.23,24; Ec 7.29; Rm 5.12ss.

D. Foi em semelhança social. Gn 3.8; 2.18,24.

     “A natureza social de Deus é embasada em suas afeições. Ele encontra os objetos de seu amor na trindade. Assim como Deus tem sua natureza social, ele dotou o homem de uma natureza social. Consequentemente, o homem procura companhia”. A.D.

E. Foi em semelhança Tri-una – o homem como um ser tríplice, e Deus um ser tri-uno. I Ts 5.23.

  • Em Mt 26.12 – o corpo de Cristo é: “soma” em grego.
  • Em Mt 26.38 – a alma de Cristo é: “Psyche” em grego.
  • Em Mt 27.50; Lc 23.46 – O espírito de Cristo é: “Pneuma” em grego.

Pensamento: “Segundo Gn 2.7, o se compõe de duas substâncias – a substância material, chamada corpo, e a substância imaterial, chamada alma. A alma é a vida do corpo e quando a alma se retira o corpo morre.

        Mas, segundo I Ts 5.23 e Hb 4.12, o homem se compõe de três substâncias – espírito, alma e corpo; alguns estudantes da Bíblia defendem essa opinião de três partes da constituição humana versus doutrina de duas partes (Dicotomia e Tricotomia) apenas, adotada por outros.

Ambas as opiniões são corretas quando bem compreendidas. O Espírito e alma representam os dois lados da substância não físicas do homem, ou, em outras palavras, o espírito e alma representa os dois lados d natureza espiritual. Embora distintos, o espírito e alma são inseparáveis, são entrosados um no outro. Por estarem tão interligados, as palavras espírito e alma muitas vezes se confundem (Ec 12.7; Ap 6.9); de maneira que em um trecho a substância espiritual do homem se descreve como a alma (Mt 10.28) e em outras passagens como espírito (Tg 2.26).

        Embora muitas vezes os termos sejam usados alternativamente, têm significados distintos. Por exemplo: “alma” é o homem como vemos em relação a esta vida atual. As pessoas falecidas como almas quando o escritor se refere à sua vida anterior. (Ap 6.9,10; 20.4.). “O espírito” é a descrição comum daqueles que passaram para a outra vida. ( At 23.9; 7.59; Hb 12.23; Lc 23.46). Quando alguém for “arrebatado” temporariamente fora do corpo (II Co 12.2) se descreve como “estando no espírito”(Ap 4.2; 17.3).

        “Sendo o homem espírito, é capaz de ter conhecimento de Deus e comunhão com ele; sendo alma, ele tem conhecimento de si próprio; sendo corpo, tem através dos sentidos conhecimento do mundo”. Scofield (Por Myer Pearlman, Conhecendo as doutrinas Bíblicas, pág. 72).

F. Foi em semelhança de imortalidade. Mt 25.46.

III. SUA QUEDA

        Antes de cair no pecado o homem foi provado em sua fidelidade para com Deus, seu criador. A provação através da qual passou Adão e Eva, não tinha como propósito tentá-los e induzi-los inevitavelmente à queda. Ela tinha uma finalidade didática que, em suma, visava conduzir o homem a uma maior perfeição, tornando-o apto para se tornar co-participante das realizações de Deus na terra.

        A admoestação de Deus, no sentido de que o homem não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.17), não tinha propósito simplesmente proibitivo; visava sobretudo testar a capacidade de obediência do homem, e promover o seu crescimento espiritual e moral”.

Pensamento: “O homem não foi criado pecador, mas o pecado entrou no mundo dos homens através de sua própria escolha, consciente e voluntário. A doutrina da Queda não se limita à religião cristã, pois todas as religiões contêm ou um relato ou uma indicação da queda, e reconhecem o fato de haver radicalmente errado na raça, ainda que todas tenham opiniões vagas sobre a causa ou origem dessa depravação nas atitudes e ações do homem; portanto, só podemos depender da revelação de Deus para receber informação de confiança a respeito.”(Bancroft, Teologia Elementar, pág. 211).

        Os 8 passos da queda do homem de Gênesis capítulo 3.

1º – Dado pela mulher. (A mulher ouviu a tentação aparentemente sozinha, desprotegida, e próxima ao local proibido).

2º – Dado pela serpente. ( “A insinuante pergunta da serpente, aparentemente inocente, mas que continha uma insinuação de dúvida acerca da palavra de Deus: “É assim que Deus disse …?” também insinua dúvida quanto ao amor e justiça de Deus, ampliando a proibição única e reduzindo as extensas permissões.”

3º – Dado pela mulher. (“A mulher replicou e debateu com o caluniador. Ela demonstrou haver compreendido as palavras de Gênesis 2.16,17).

4º – Dado pela mulher. (“Ela falsificou a palavra de Deus. Ela deixou de lado “todas” e “livremente”, e acrescentou “nem tocareis nele”; e também abrandou as palavras “no dia em que delas comerdes, certamente morrerás” para que não morrais”. Ver Gn 3.2,3 com Gn 2.17.

5º – Dado pela serpente. (“Este consistiu de uma aberta negação do castigo devido ao pecado, e de acusar Deus de haver proferido mentira. Também continha outra ousada acusação, Satanás acusou Deus de egoísmo, inveja e a firme resolução de degradar Suas criaturas e dominá-las.”

6º – Dado pela mulher. (“Ela crê no tentador. Ela viu que a árvore era boa para comer (concupiscência da carne), agradável à vista (concupiscência dos olhos), e desejável para transmitir sabedoria (soberba da vida).” I Jo 2.15,16.

7º – Dado pela mulher. (Obedecendo ao tentador, ela tomou do fruto e o comeu, se deixando enganar pelo tentador.)

        8º – Dado pela mulher. (“Assumiu a posição de tentadora. Ela deu do fruto a seu marido, e ele comeu também (o homem cedeu, mas não por ter sido enganado) I Tm 2.14. Adão desobedeceu de olhos abertos, propositadamente, em lugar de procurar ajudar sua esposa e pedir perdão para ela e proteção para si mesmo. Para ele é que a proibição e a advertência tinham sido diretamente feitas (Gn 2.16,17). Ele é o cabeça da raça, e assim trouxe o pecado sobre toda a raça. (Rm 5.12,16-19).

                                                        Pr Francisco Nascimento

 

Obs: Esse é um trabalho de pesquisa que aglutina os melhores pensadores sobre as doutrinas de Teologia Sistemática

 

 

 

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