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A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO


Teologia Sistemática

A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO

( PNEUMATOLOGIA )

 

INTRODUÇÃO:

            A doutrina do Espírito Santo, a julgar pelo que ocupa nas Escrituras, está em primeiro lugar entre as verdades redentoras. Com exceção das epístolas de segundo a terceira de João, todos os livros do Novo Testamento contém referências à obra do Espírito; todos os Evangelhos começam com uma promessa do derramamento do Espírito Santo.

         No entanto, é reconhecida como a doutrina mais negligenciada. O formalismo e o medo indevido do fanatismo produzido uma reação contra a ênfase na obra do Espírito na experiência pessoal.

         Naturalmente, este fato resultou em decadência espiritual, pois não pode haver um Cristianismo vivo sem o Espírito. Somente Ele pode fazer real o que a obra de Cristo possibilitou.

I. A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO

            Pensamento: “Por personalidade do Espírito Santo queremos dizer que Ele possui ou contém em Si mesmo os Elementos de existência impessoal ou vida animal.

         Pode-se dizer que a personalidade existe quando se encontram, em uma única combinação, inteligência, emoção e volição, ou ainda, autoconsciência e autodeterminação.

         Quando um ser possui os atributos, propriedades e qualidades de personalidades, então se podem atribuir a esse ser, inquestionavelmente, personalidade.

         Conforme sugerido no estudo sobre a doutrina da trindade, o termo pessoa quando aplicado aos membros da trindade, deve-se ser empregado em sentido qualificado ou limitado, referindo-se às distinções pessoais, e não a organismos separados, conforme usamos o termo a respeito do homem”. ( E.H. Bancroft, Teologia Sistemática, pág. 178 ).

         “Todos os atributos de uma pessoa são, pela Bíblia, atribuídos ao Espírito Santo. Quais são então estes atributos de uma pessoa? São cinco: pensar, sentir, querer, consciência própria e direção própria. Portanto, qualquer ser que pensa que ama, que quer, que tem direção própria e consciência própria é uma pessoa. Quando a Bíblia afirma que o Espírito Santo é uma pessoa, não diz que Ele tem olhos, nariz, etc, porque estas coisas são partes do corpo, e não elementos componentes de uma pessoa. E convém notar bem, quando a Bíblia afirma que o Espírito Santo é uma pessoa, afirma que ele não é uma mera influência, mero poder, com o vento. O vento não tem características de uma pessoa, não pensa, não sente, não quer. Espírito Santo, porém é uma pessoa como o Filho de Cristo e como qualquer outra. Ele tem os elementos que constituem uma personalidade”. A.B. Langston Pag. 254

A. CARACTERÍSTICAS PESSOAIS ATRIBUÍDAS AO ESPÍRITO SANTO

            “Por características não nos referimos a mãos, pés ou olhos, pois essas coisas denotam corporeidade, mas antes, qualidade, como conhecimento, sentimento e vontade, que indicam personalidade.”

  • Inteligência. I Co 2.10,11; Rm 8.27.

Pensamento: O Espírito Santo não é mero poder ou influência iluminadora, e sim, uma pessoa dotada de intelecto, que conhece as profundezas de Deus e no-las revela.

  • Vontade. I Co 12.11.
  • Amor. Rm 15.30.
  • Bondade. Ne 9.20.
  • Tristeza. Ef 4.30.

         Pensamento: “Ninguém pode entristecer a lei da gravidade, ou fazer com que se lamente o vento oriental. Portanto, a não ser que o Espírito Santo seja uma pessoa, a exortação de Paulo, aqui, seria sem significado e supérflua”.

B. ATOS PESSOAIS ATRIBUÍDOS AO ESPÍRITO SANTO

  1. Ele perscruta as profundezas de Deus. I Co 2.10.
  2. Ele fala. Ap 2.7; Gl 4.6; Jo 15.26.
  3. Ele intercede. Rm 8.26.
  4. Ele ensina. Jo 14.26; 16.12-14.
  5. Ele guia e conduz. Rm 8.14; At 16.6,7.
  6. Ele chama os homens e os comissiona. At 13.2;20.28.

C. O ESPÍRITO SANTO MERECE TRATAMENTO PESSOAL

  1. Podemos rebelar-nos contra Ele e entristecê-lo. Is 63.10; Ef 4.30; At 7.51.
  2. Pode-se mentir para Ele. At 5.3.
  3. Pode-se blasfemar contra Ele. Mt 12.31,32.

Pensamento: Diz  Webster que blasfemar significa “falar do Ser Supremo em termos de ímpia irreverência; ultrajar ou falar repreensivamente de Deus, de Cristo ou do Espírito Santo.” E blasfemar desse modo seria impossível se o objeto da irreverência não fosse uma pessoa.

II. A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

            Pensamento: “As Escrituras ensinam enfaticamente a divindade do Espírito Santo. Não obstante, têm existido aqueles que negaram essa verdade. Ário um presbítero de Alexandria do Quarto Século de nossa era, introduziu o ensino, sustentando que Deus é uma eterna Pessoa, que ele criou Cristo, o qual por sua vez criou o Espírito Santo, negando assim Sua divindade. Esse ensino obteve grande aceitação na Igreja de então, mas foi corrigido pelo credo Niceno, de 325 d.C.”

         Definição: “Por divindade do Espírito Santo se entende que ele é um como Deus, fazendo parte da divindade, sendo co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai e com o filho.” ( E.H. Bancroft, pag 184 ).

Provas de Sua divindade são demonstradas:

Pelos nomes divinos que lhe são atribuídos:

  • Ele é chamado “Deus”. At 5.3,4.
  • Ele é chamado “Senhor”. II Co 3.18 ( Is 6.8,9 com At 28.25,26) Je 31.33,34 com Hb 10.15,16.

Pelos atributos divinos a Si reputados:

  • Eternidade. Hb 9.14.
  • Onipresença. Sl 139.7-10.
  • Onipotência. Lc 1.35.
  • Onisciência. I Co 2.10,11; Jo 14.26; 16.12,13.

Pelas obras divinas que Lhe são atribuídas:

  • Criação do mundo. Jó 33.4; Sl 104.30; Gn 1.2.
  • Transmissão de vida. Rm 8.11; Jo 3.3-8; 6.63; Tt 3.5.
  • Autoria da profecia divina. II Pe 1.21.
  • Distribui dons espirituais. I Co 12.8-11.
  • Ensina o crente como deve proceder. Lc 12.11-12.
  • Justifica e santifica o crente. I Co 6.11.

Pela associação do nome do Espírito Santo com os nomes do Pai e de Cristo:

  • Na comissão apostólica. Mt 28.19.
  • Na administração da igreja. I Co 12.4-6.
  • Na bênção apostólica. II Co 13.13.

III. OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO

            Através dos muitos nomes do Espírito Santo, passamos a conhecer a Sua personalidade, vontade e caráter. Assim então, podemos ter uma idéia real quem é a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

A. Nomes do Espírito Santo que descrevem Sua própria pessoa:

  • O Espírito. I Co 2.10. (O termo grego “Pneuma”, aplicado ao Espírito Santo, envolve tanto o pensamento do “Fôlego” como o de “Vento”.
  • Como “Fôlego”. Jo 20.22; Gn 2.7. (O Espírito é o hálito de Deus – a vida de Deus que dele sai para vivificar.)
  • Como vento. Jo 3.6-8; At 2.1-4.
  • O Espírito Santo. Lc 11.13; Rm 1.4.

      “O caráter moral essencial do Espírito é salientado nesse nome. Ele é Santo em pessoa e caráter, e também é o autor da santificação do homem”.

  • O Espírito Eterno. Hb 9.14 ( Sempre existiu e sempre existirá).

B. Nomes do Espírito Santo que demonstram sua relação com Deus:

  • Espírito de Deus. I Co 3.16. Esse nome retrata o Espírito Santo como alguém que procede da parte de Deus. Ele é enviado pelo Pai e pelo Filho.
  • Espírito de Jeová. Is 11.2; 61.1.
  • Espírito do Deus vivo. II Co 3.3.

      “O Espírito é aqui apresentado como alguém que escreve ou traça a imagem de Cristo sobre “as tábuas de carne, dos corações,” e por meio de quem o crente se torna epístola viva.”

C. Nomes do Espírito Santo que demonstram Sua relação com o Filho:

  • O Espírito de Cristo. Rm 8.9; At 2.36. “Este nome mostra a relação do Espírito com o Messias, o ungido de Deus. O próprio Espírito é tanto a unção como aquele que unge.”
  • Espírito de Seu Filho. Gl 4.6. “O Espírito de Seu Filho produz, no coração do crente, o Espírito filial, dando-lhe a certeza que é um dos filhos de Deus.”
  • O Espírito de Jesus Cristo. Fl 1.19; At 2.32,33.

      “Esse nome identifica o Messias divino com o homem Jesus, e mostra a relação que o Espírito Santo sustenta com ele conforme aqui identificado.”

D. Nomes do Espírito Santo que demonstram sua relação com os homens:

  • Espírito Purificador. Is 4.4; Mt 3.11b  “Esse nome representa a atividade do Espírito Santo como aquele que perscruta, ilumina, refina e purifica da escória”.
  • Espírito Santo da Promessa. Ef 1.13; At 1.4,5; 2.33. “Esse nome refere-se ao Espírito Santo como o cumprimento da Promessa do Pai feita ao Filho. O Espírito também proporciona ao crente a certeza de que as promessas que Deus lhe tem feito são garantidas”.
  • Espírito da Verdade. Jo 15.26; 14.17; 16.13; I Jo 4.6; 5.6  “Ele possui, revela, proporciona, introduz e testifica e defende a verdade. Nesse sentido Ele se opõe ao espírito do erro”.  I Jo 4.6.
  • Espírito da Vida. Rm 8.2. (Ele é a fonte geradora de vida).
  • Espírito Consolador. Jo 14.26; 15.26; 16.7.

      “O mesmo vocábulo grego aqui traduzido por consolador é traduzido por “Advogado”, ao referir-se a Cristo, em  I Jo 2.2. Significa “chamado ao lado de” ou, ainda, “quem aparece em defesa de”, como faz um advogado em tribunal humano. Mais também está envolvido o pensamento de “fortalecer”, isto é, alguém que dá vigor e torna forte. Em linguagem comum, poder-se-ia interpretar assim: “Um que fica ao nosso lado a fim de ajudar”.

IV. O ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO

Pensamento:  São muitas as atividades do Espírito Santo desde a criação do mundo até aos dias atuais. Vamos abordar neste item algumas obras do Espírito Santo no Antigo Testamento:

  1. Ele é Criador do mundo. Jó 33.4.
  2. Ele é a fonte de preservação e restauração de tudo. Gn 1.2; Sl 104.29,30; Is 40.7.
  3. Ele é o que dá a força de vitória para os servos do Deus vivo. Sansão. Jz 14.6; Jefté. Jz 11.29.
  4. Ele é quem dá aos profetas o poder de revelar a verdadeira vontade de Deus. Ez 2.2; 8.3.
  5. Ele é quem dá a certos homens a sabedoria e o entendimento para trabalhar em certos serviços. Êx 31.2-5.

V. O ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO

A. Nos quatro Evangelhos.

      “Nos quatro Evangelhos se nos deparam as atividades do Espírito Santo, especialmente, em relação ao ministério de Jesus. Nenhuma outra pessoa há, no Novo Testamento, tão relacionada com o Espírito Santo quanto Jesus.”

B. O Espírito Santo em Cristo:

a) Seu nascimento – Jesus foi concebido pelo poder do Espírito Santo. Lc 1.35.

b) Seu ministério:

  • Jesus ficou cheio do Espírito Santo quando por ocasião do Seu batismo. Lc 3.21,22.
  • Jesus foi guiado pelo Espírito Santo. Lc 4.1,18.
  • Jesus expulsou demônios pelo poder do Espírito Santo. Mt 12.28.
  • Jesus é aquele que batiza com o Espírito Santo. Mt 3.11; At 2.4.

c) Sua morte – Jesus se ofereceu em sacrifício na cruz pelo poder do Espírito Santo. Hb 9.14.

d) Sua ressurreição:

  • Jesus ressuscitou pelo poder do Espírito Santo. Rm 1.4; 8.11.
  • Hoje Ele é o doador do Espírito Santo a todos os que creem nEle.

C. O Espírito Santo na experiência humana.

1. Em relação aos homens não regenerados:

                   Pensamento: “A obra principal do Espírito Santo, em relação aos perdidos, é a de convicção. Deve-se fazer a distinção entre a convicção da consciência e a convicção do Espírito Santo. A consciência convence do erro praticado – o Espírito Santo convence do erro no próprio ser. A consciência pode ser assemelhada a um tribunal – Juiz, Júri e Testemunhas – todos a tratar do erro praticado que não há meio de escapar. O Espírito Santo convence ao mesmo tempo que faz surgir um raio de luz, revelando uma solução e um meio de escape. Algumas vezes essa convicção é chamada de convicção evangélica.”

  • Ele testifica-lhes. At 5.30-32. O Espírito Santo testifica aos não salvos por meio da verdade concernente a Jesus Cristo.
  • Ele convence-os. Jo 16.8-11:
  1. Do Pecado. “Ele convence, não primariamente do pecado da quebra da lei, mas do pecado da incredulidade: ‘do pecado, porque não crêem em mim’ At 2.36,37. Visto que todo pecado tem sua raiz na incredulidade, a forma mais grave de incredulidade é a rejeição de Cristo. O Espírito Santo, entretanto, ao apegar essa verdade à consciência, longe de extinguir, pelo contrário consuma i intensifica o senso de todos os outros pecados.”
  2. Da Justiça. “Ele convence o mundo da justiça pessoal de Cristo, o que envolve a veracidade de suas declarações a Seu próprio respeito, conforme foi atestado pelo fato de ter ido para o Pai (At 2.33). Essa Justiça é um cumprimento e manifestação de todas as outras justiças. Essa convicção produz a auto-condenação.

Ele convence o homem da justiça providenciada, que Cristo recebeu a fim de concedê-la a todos quantos viessem a confiar nEle”.

  • Do Juízo. “Ele convence o mundo do juízo, o que é atestado pelo fato de ser obra já consumada do julgamento de Satanás. Nesse, todos os demais juízos foram decididos e baseados. O julgamento de Satanás foi assegurado na cruz, quando, potencialmente, lhe foi tirado o poder. Isso, juntamente com o julgamento daqueles que preferem permanecer aliados de Satanás, será consumado no último dia ou no grande dia.”

  Pensamento: “Nessa tríplice obra, o Espírito Santo glorifica a Cristo. Ele mostra-nos que é pecado não confiar em Cristo, revela-nos a justiça de Cristo e a obra vitoriosa de Cristo em relação a Satanás. Nossa tarefa consiste tão somente em pregar a palavra da verdade, dependendo do Espírito Santo para produzir convicção.” At 2.4,37.

2. Em relação aos crentes:

Ele equipa para o trabalho:

  • Ele guia. Rm 8.14; At 13.2-4; 8.27-29.
  • Ele liberta. Rm 8.2.
  • Ele enche o crente. Ef 5.18-20; At 2.4; 4.8,31; 7.54,55; 9.17,20; 13.9,10,52.
  • Ele fortalece. Ef 3.16-19.
  • Ele proporciona segurança. Rm 8.14-16.
  • Ele sela. Tornando o crente propriedade sua. Os crentes em Éfeso podiam compreender perfeitamente a ilustração do selo, pois Éfeso era cidade portuária, com negócios de madeiras. O comerciante em madeira vinha Éfeso, selecionava e comprava a madeira, e selava-a com a marca reconhecida de que ela lhe pertencia. Frequentemente deixava sua compra no porto, juntamente com outras jangadas, para depois enviar um agente de confiança, que comparava o sinal do selo e levava a madeira que pertencia a seu legítimo proprietário. O Espírito Santo é o selo de propriedade que Deus põe sobre uma vida humana; é o carimbo divino e a garantia da herança eterna. Ef 1.13.
  • Ele habita no crente. I Co 6.19; 3.16; Rm 8.9.
  • Ele regenera. Jo 3.3-6; Tt 3.5; I Pe 1.23; Ef 5.25-26. Ilumina. I Co 2.12-14. Instrui. Jo 16.13,14. Capacita. I Ts 1.5; At 1.8; I Co 2.1-5.
  • Ele santifica. I Co 6.11.

VI. OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

            Pensamento: “Alguém disse: ‘As palavras são veículos inadequados para transmitir a verdade. Quanto muito, apenas revela a metade das profundidades do pensamento. ’ Deus achou por bem ilustrar com símbolos o que de outra maneira, devido à pobreza de linguagem humana, nunca poderíamos saber. Os seguintes símbolos são empregados para descrever as operações do Espírito Santo.”

A .  Fogo . (Is 4:4; Mt 3:11; Lc 3:16) O fogo ilustra a limpeza, a purificação, a intrepidez ardente, e o zelo produzido pela unção do Espírito. O Espírito é comparado ao fogo porque aquece, ilumina, espalha-se e purifica.  (Jer  20:9)

B .  Vento(Ez  37:7-10;  Jo 3:8;  At 2:2)  O vento simboliza a obra regeneradora do Espírito e é indicativo da sua misteriosa operação independente, penetrante, vivificante e purificante.

C .  Água .  (Ex 17:6; Ez 36:25-27; 47:1; Jo 3:5; 4:14; 7:7-39)  O Espírito é a fonte de água viva, a mais pura, e a melhor, porque Ele é o verdadeiro rio de água viva – inundando as nossas almas, e limpando-a porém do pecado. O poder do Espírito Santo opera no reino espiritual o que a água faz na ordem material. A água purifica, refresca, sacia a sede e torna frutífero o estéril. Ela purifica o que está sujo e restaura a limpeza. A água é um elemento indispensável na vida física; o Espírito Santo é um elemento indispensável na vida espiritual.

D .  Selo(Ef 1:13;  II Tm  2:19)  Essa ilustração exprime os seguintes pensamentos: a)  Possessão. A impressão de um selo dá a entender uma relação com o dono do selo, e é um sinal seguro de algo que lhe pertence.  Os crentes são propriedades de Deus, e sabe-se que o são pelo Espírito que neles habita.  b) A idéia de segurança também está incluída.  (Ef 1:14; Ap 7:3; Rm 8:16)  Ele é o penhor ou as primícias da nossa herança celestial, uma garantia da glória vindoura. Os crentes têm sido selados, mas devem ter cuidado que não façam alguma coisa que destrua a impressão do selo. Efésios 4:30

E .  Pomba . (Mt 3:16)  A pomba como símbolo, significa brandura, doçura, amabilidade, inocência, suavidade, paz, pureza e paciência.

VII. O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO.

       Pensamento: No Antigo Testamento não era autorgado como dádiva permanente. Aparentemente isto sucedia até mesmo no caso dos profetas, embora seja seguro pensarmos que os homens mais profundamente espirituais daquele período possuíam o dom do Espírito por tempos mais dilatados que o comum. (Sl 51:11) A operação do Espírito Santo, nos tempos do A. T., era equivalente ao que sucede no período Neo-Testamentário, pelo menos em termos gerais, excetuando o fato de que Ele sucede com os crentes do novo testamento. (I Sm 16:14; Jz 13:25;  14:6,19; 15:14;  16:20.)

A. A promessa do Batismo com o Espírito Santo.

  1. Por Joel 2:28-32. Confirmado por Pedro. At  2:14-21.
  2. Por Isaías 44:3.
  3. Por João Batista. Mt  3:11;  Jo  1:32-34.
  4. Por Jesus. Lc  11:13;  Jo  14:15-17,25,26;  15:26;  16:13-15;  Lc  24:49;  At 1:5,8.

B. Para Quem é esta Promessa? At  2:37-39.

  • Para os nascidos do Espírito Santo. Jo  7:37 “A Promessa é para vós.” Os Judeus que estavam em Jerusalém e os que estavam visitante provindos de outros países para a festa, que faziam parte da antiga aliança, a lei.
  • “Para os vossos filhos.” Descendentes de Israel, da Lei.
  • “Para todos os quantos o Senhor nosso Deus chamar.” Os Gentios e qualquer pessoa que aceitar o convite do Senhor nosso Deus através do Evangelho de Jesus Cristo. Jo  10:16;  17:20
  • “Para os crêem na Promessa.” Jo  7:37-39
  • “Promessa concernentes aos que creem:”
  1. São nascidos do Espírito Santo. Jo 3.3; I Jo 5.1.
  2. São habitados pelo Espírito e se tornam santuário Dele. I Co  3:16;  6:19;  Rm  8:9-15
  3. São ungidos pelo Espírito. I Jo  2:20,27
  4. São confirmados filhos de Deus pelo Espírito. Gl 4:6;  Rm  8:15-17
  5. São participantes do corpo de Cristo. I Co  12:13
  • São selados para o dia da Redenção pelo Espírito Santo. II Co 1:22; Ef 1:13; 4:30. Ilust. Do missionário Inglês na Índia.

C .  A natureza do Batismo com o Espírito Santo.

       Pensamento: Algumas palavras e expressões são usadas para simbolizar e descrever o trabalho do Espírito Santo, Sua vinda poderosa aos Crentes e seu ministério através destes. Consideramos algumas:

  1. Derramamento” –  Joel  2:28-32.  Significa um presente que Deus está dando abundantemente.
  2. Batismo”. O recebimento do Espírito é figurado como Batismo: uma total, gloriosa e sobrenatural imersão do divino Espírito, o que revela a maneira gloriosa como o Espírito Santo envolve, enche e penetra a alma do crente. Assim todo o nosso ser se torna saturado e dominado com a presença refrigeradora de Deus, pelo seu Espírito Santo.
  3. Enchimento” –  (Ef  5:18;  At  2:4;  4:31;  7:55).  O enchimento aqui descrito em vários textos é a total “Plenitude de Deus” agindo na vida do crente. Não existe uma área de seu intelecto, razão, espírito, alma e corpo que não esteja habitada de uma maneira poderosa e santa pelo Espírito Santo. O crente cheio do Espírito, não tem querer, não tem vontade, pois seu querer e sua vontade estão sobre o controle do Espírito Santo, Ele é movido pelo Espírito Santo.

D .  Sinais de quem tem a Plenitude do Espírito Santo.

  • Manifestam desejos para orar, ler a Bíblia, cantar hinos espirituais, evangelizar.
  • Procuram ter uma vida de santidade e comunhão com Deus. At 10:44-48;  19:1-7;  8:5-24;  9:17;  Rm  5:5.

PensamentoO propósito de ser cheio do Espírito Santo é para obter mais poder do alto (At  1:8); para poder realizar a obra de Deus com mais habilidade e subjugar as forças do adversário com mais facilidade, é necessário seguir o conselho de Paulo Apóstolo: Não vos embriagues com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graça por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.” Ef 5:18-20

VIII .  OS DONS DO ESPÍRITO SANTO.

PensamentoExiste uma diferença entre o dom do Espírito (At  2:33,38), e os dons do Espírito, (I Co 12) que são ás dádivas de Deus para o desenvolvimento e crescimento da Sua Igreja. (Ef  4:7-16)

A. Definição do termo.

     “O Novo Testamento usa a palavra grega carisma ( Plural Carismata ) para designar os diversos dons que Deus deu aos cristãos através do Espírito Santo. A palavra “carisma” entrou na língua portuguesa para descrever alguém que tem uma certa qualidade indefinível que atrai as pessoas à sua personalidade. Nós dizemos que algumas pessoas famosas tem este carisma. Uma ilustração Bíblica é Apolo (At 18:24-28). Este evangelista e ensinador neo-testamentário parece que tinha carisma neste sentido atual. O Apóstolo Paulo não tinha. Mas ambos tinham dons espirituais definidos – carismata – que Deus lhes tinham dado de maneira sobrenatural. No sentido secular carisma é uma influência que ninguém pode alterar. Mas a palavra carisma, em seu sentido Bíblico, significa “dom da graça”. Por isso a palavra carisma na Bíblia tem um sentido diferente daquilo que o mundo imagina quando diz que alguém tem “Carisma”.

     A palavra carismata. Plural de carisma, acha-se somente nos escritos de Paulo, a não ser em I Pe 4.10. Uma definição precisa seria “manifestação da graça”, que traduzido é “dons”. A palavra usada para identificar os diversos dons espirituais que os cristãos receberam para benefício da igreja , e estes dons são o assunto deste capítulo. Em Efésios 4.11ss, Paulo usa duas outras palavras traduzidas por dons ou dádivas, dorea e  doma. São semelhantes a carismata e ainda a uma quarta palavra para “dons”, pneumática, que significa “as coisas do Espírito” todas estas palavras gregas são traduzidas por “dons”, e significam mais ou menos a mesma coisa.” (Billy Grahan, O Espírito Santo, pág. 129).

B. Classificação dos dons espirituais:

  • Dons de revelação (Saber sobrenatural):
  1. Palavra de sabedoria.
  2. Palavra de ciência (Conhecimento).
  3. Discernimento de espíritos.
  • Dons de poder (Agir sobrenatural):
  1. Fé.
  2. Milagres
  3. Cura
  • Dons de inspiração (Falar sobrenatural):
  1. Variedades de línguas.
  2. Interpretação de línguas.
  3. Profecias.

C. Discriminação dos Dons:

  1. Palavra de Sabedoria. I Co 12.8.

“Aqui é focalizado a habilidade de compreender e de transmitir as cousas mais profundas do Espírito de Deus, de compreender os mistérios cristãos, como também a capacidade de transmitir a outros esse conhecimento”.

Essa sabedoria opera na esfera do conhecimento, na pregação da palavra, do governo da igreja, nas emergências, sob forma de conselhos e orientações, na escolha de obreiros, no governo e direção da própria vida, através da prudência. Em tais circunstâncias, esse dom opera em conjunto com o da ciência como Daniel 1.17 e Gn 41.39, sendo o dom de ciência a teoria e o da sabedoria a prática. Esse dom é de inestimável valor nas emergências, como temos nos exemplos de Salomão (I Rs 3.16); Jesus (Lc 2.47; Mt 22.21) o dom da sabedoria regula os demais. Pv 4.7.

  1. Palavra de Conhecimento (Ciência).

Este dom tem sido definido como sendo a revelação sobrenatural de algum fato que existe na mente de Deus, mas que o homem, devido às suas naturais limitações, não pode conhecer, a não ser que o Espírito Santo lhe revele. Ex.: da manifestação deste dom são encontrados nos ministérios de Samuel (I Sm 9.15,20; 10.22), Eliseu (II Rs 5.20,26; 6.8,16), Jesus (Jo 1.48; 4.18), Pedro (At 5.3,4), Paulo (At 27.23-25).

Através deste dom, segredos do mais profundo coração são revelados, enquanto que obstáculos ao desenvolvimento da Igreja são manifestos, e desmascarados toda e qualquer hipocrisia.

  1. Discernimento de espíritos. I Co 12.10.

    A palavra discernimento em I Co 12.10 vem de um termo grego que compreende diversas idéias: ver, considerar, examinar, compreender, ouvir, julgar de perto.

   “É o poder de distinguir entre as operações do Espírito Santo e as operações de espíritos malignos e enganadores (I Tm 4.1; I Jo 4.1,2). Existem muitos indivíduos, dotados de poderes espirituais e psíquicos, que não pertencem ao reino da luz. Muitos existem que não confessam e nem aceitam a Jesus como Senhor. Falsos profetas causaram muita confusão na Igreja primitiva. Talvez as comunidades cristãs fossem um tanto infantis em sua aceitação de qualquer manifestação aparentemente sobrenatural. Ora, o dm do discernimento de espíritos serve de ajuda à Igreja, para que se possa distinguir o falso do verdadeiro, para que se perceba quando Deus opera através do homem, ou quando atua algum outro espírito, algum outro poder estranho.” (Dr. Russel Champlim).

     A operação do dom do discernimento pode ser examinada por duas outras provas: A doutrinária (I Jo 4.1-6) e a prática (Mt 7.15-23). Observe este dom em operação com Jesus (Jo 2.25), Pedro (At 8.21-23), Paulo (At 13.6-12; 16.16-18), e João Batista (Mt 3.7).

  1. Fé. I Co 12.9.

     É a capacidade ou faculdade de confiar em Deus de modo sobrenatural. Existem pessoas dentre as Igrejas que Deus as contempla com uma fé extraordinária sobrenatural para que sejam manifestados serviços específicos. “As muitas manifestações de fé mostram que o exercício dos outros dons provavelmente é envolvido no caso de pessoas, que também possuem fé de uma maneira especial, mediante o que são capazes de curar, de operar milagres ou fazer quaisquer outras cousas diretamente relacionadas aos dons espirituais.” At 3.1-10; Mt 17.20.

  1. Dons de Curas. I Co 12.9.

     A pluralidade de dons indica que Deus fez provisão quanto a todo tipo de males, enfermidades, fraquezas, deficiências, deformidades, doenças de toda natureza tanto somáticas (doenças do corpo), como as doenças psíquicas (doenças da mente, da alma, dos nervos). Isto é evidente em Is 53.4,5.

      Nos vocábulos originais vêem-se esses dois tipos gerais de doenças.

 A existência dos dons de curar não significa dispensar ou desacreditar a ciência médica. O apóstolo Paulo tinha muitos dons, inclusive o de cura (At 19.12), mas trazia consigo o médico Lucas (Gl 4.14). Em II Tm 4.20, ele afirma que deixou Trófimo doente em Mileto. Isto porque a cura depende da Soberana vontade de Deus e não da vontade do homem. I Jo 5.14.

  1. Operações de Milagres. I Co 12.10.

     “O significado da palavra “milagre”, no grego, é “poderes”. Um milagre é um acontecimento que o poder de nenhuma lei física pode produzir; e uma ocorrência espiritual, produzida pelo poder de Deus; uma maravilha, um prodígio.”

      Normalmente envolve atos criativos, juízo, ressurreição, intervenção nas leis fixas da natureza. Ex. Elias (I Re 17.9-6), Josué (Js 3.13-17), Jesus (Jo 2.1-12), Pedro (At 9.40).

  1. Dom de Profecia. I Co 12.10.

      A nossa palavra profecia vem do termo grego que significa “expositor público”. Nos tempos apostólicos este dom tinha duas facetas. Uma era a transmissão das palavras de Deus para os homens, através do profeta. Isto era um dom sobrenatural. Para que as pessoas pudessem discernir o falso do verdadeiro o Espírito dava a outros o dom do discernimento de espíritos. Só o fato de existirem profetas que falavam por revelação implicava na existência de falsos profetas, como podemos verificar no Antigo Testamento. Os cristãos neo-testamentário não deviam desprezar as profecias, mas também tinham que testar todas as coisas. I Ts 5.20,21.

  1. Variedade de línguas.

O dom de línguas é o poder de falar sobrenatural em uma língua nunca aprendida por quem fala, sendo essa língua feita inteligível aos ouvintes por meio do dom igualmente sobrenatural de interpretação. Parece haver duas classes de mensagens em línguas: A primeira diz respeito mais ao louvor em êxtase dirigido somente a Deus (I  Co 14:2). A segunda é uma mensagem definida a Igreja (I Co 14:5).

“Nem todos os crentes batizados com o Espírito Santo recebem esse dom (I Co 14:5; 12:30). Por falta de compreensão nessa parte, muitos fazem exibição ou desfile habitual de línguas estranhas em público, quando não se trata do dom, e sim, a evidência inicial do batismo, como já foi analisado… As línguas estranhas devem ser estimuladas para as devoções particulares, mas nunca para exibição habitual em público. Não devem jamais perturbar ou sobrepor-se à pregação da palavra”. ( Manual de Doutrina, I. M. W., pág. 88 )

  1. Interpretação de língua. (I Co 12:10)

   “O propósito do dom de interpretação é tornar inteligíveis as expressões do êxtase inspirativo pelo Espírito que se pronunciaram em uma língua desconhecida da grande maioria presente, repetindo-se claramente na língua comum do povo.” ( Donald Gee )

     É uma operação puramente espiritual. O mesmo Espírito que inspirou o falar em outras línguas, pelo qual as palavras pronunciadas procedem do Espírito e não do intelecto, pode inspirar também sua interpretação. A interpretação é, portanto, inspirada, extática e espontânea.

     Nota-se que as línguas em conjunto com a interpretação tomam o mesmo valor de profecia (I Co 14:5 ). Porque, então, não nos contentarmos com a profecia? Porque as línguas são um “sinal” para os incrédulos. (I Co 14:22 )

D. Os Ministérios (ofícios) do Espírito Santo.

   Os ministérios aqui relacionados são as funções que Deus habilita certas pessoas na Igreja, para dar o crescimento e o desenvolvimento de cada crente até a maturidade da fé; geralmente as pessoas que recebem estes dons ministeriais fazem parte da liderança local da Igreja. São os seguintes: Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.  (Ef  4:11-16)

  1. Apóstolos. – O sentido da palavra é “aquele que é enviado com uma missão”. É um oficio revestido de dignidade e poder.

   O novo testamento provavelmente usa a palavra “apóstolo” com três sentidos diferentes. Em primeiro lugar – no sentido geral: é que todos nós somos por Cristo enviado ao mundo, participando assim da missão apostólica da Igreja. (Jo  17:18;  20:21)  Neste sentido amplo todos somos apóstolos. Em segundo lugar – a palavra é usada pelo menos duas vezes para descrever apóstolos das Igrejas (I Co 8:23; Fp 2:25), mensageiros enviados de uma Igreja a outra com incumbências especiais… – Em terceiro lugar – o dom do apostolado, tão em destaque, deve-se referir por isso a este grupo pequeno e especial que eram os apóstolos de Cristo, os doze e Paulo. (Lc 6:12,13; Gl 1:1) Eles eram diferentes porque tinham sido testemunhas oculares do Jesus histórico, principalmente do Senhor ressurrecto… Neste sentido primário com que eles aparecem nas listas, eles não têm sucessores, apesar de haver, sem dúvida, “apóstolos” hoje em dia, no sentido secundário de “missionário”.

  1. Profetas. – No sentido neo-testamentário é aquele que fala “obedecendo ao impulso de uma repentina inspiração, à luz de súbita e momentânea revelação”. I Co 14.30.

        O caráter essencial dos profetas na Igreja é edificar, exortar e consolar. (I Co 14.3). O profeta não está na Igreja para falar novidade doutrinária, pois, no que concerne à revelação de Deus escrita já foi realizada, e o que ultrapassa o que já foi ensinado é mentira. Gl 1.6-9.

       O profeta de caráter preditivo como do Antigo Testamento, já não existe no Novo Testamento. Mt 11.13.

  1. Evangelista – O termo “evangelista” vem de uma palavra grega que significa “aquele que anuncia boas novas”.

        Deus levanta homens dentre as igrejas com este dom para ganhar almas; tem o desejo imenso de evangelizar, sua mensagem é a cruz, seu alvo é o pecador, sua perseverança: “Ai de mim se não pregar o evangelho.” I Co 9.16; At 8.5,24, 40; II Tm 4.5.

  1. Pastores – Homens dotados de conhecimento, com poderes de consolação, entendidos em governo, simpatia com os problemas dos outros, conhecimento para continuar o trabalho do evangelista.

        O serviço do pastor consistia em:

  • Defender o rebanho dos ataques dos lobos e de falsos profetas. (Tt 1.11; II Pe 2.1.
  • Exercer a supervisão de modo que todas as coisas fossem feitas com decência e ordem. (I Co 14.40). De modo a conservar a doutrina sempre sã e convincente.
  • Ministrar pessoalmente os membros. (Tg 5.14).
  • Alimentar bem o rebanho para ficar livres de enfermidades espirituais. (At 20.28; I Pe 5.2).

      5. Mestres – A palavra grega usada em Ef 4.11, significa “instrutor”. Depois da mensagem do evangelho ter resultado em conversões, os novos convertidos tem que ser ensinados, aí entra a função do mestre.

        É o mestre que vai levar o crente a conhecer com mais profundidade a palavra de Deus, e atingir uma maturidade espiritual para que não fique ao sabor de todo o “vento de doutrina”, e se afaste dos caminhos de Deus. Apolo e Zenas tinham esse dom. (Tt 3.13; At 18.27,28; I Co 3.3-8).

E. Outros ministérios:

  1. Socorros (I Co 12.28). O pensamento ou ideia principal aqui é o de ministrar aos aflitos e necessitados. Para realizá-lo de maneira digna, todavia, conforme estas inspiradas instruções, requer-se um real equipamento do poder e graça divina. Exemplos bíblicos de personagens com este ministérios, Febe ( Rm 16.1-3), Áquila e Priscila (I Co 16.19), Ninfa (Cl 4.15) e Filemon 2.
  2. Contribuintes (Rm 12.8). Deus levanta pessoas na igreja com este dom, para a edificação da sua obra. Todos os irmãos são e devem ser contribuintes da obra do Senhor, mas tem alguns que Deus levanta para dar se possível tudo o que ele tem para a obra do Senhor. At 4.36,37.
  3. Os ministros (Rm 12.7). Está mais no sentido administrativo, são pessoas levantadas por Deus com o fim de bem ministrar de forma organizada e ordeira a Igreja de Deus. Geralmente estes ministros servem na diaconia. Fl 1.1; I Tm 3; At 6.1-6.
  4. Exortadores (Rm 12.7). Exortar é animar, admoestar, aconselhar, consolar através de palavras edificadoras. São várias as pessoas que Deus levanta na igreja, desde o pastor, como o irmão idoso ou uma irmã já vivida a aconselhar e animar a outros a serem fiéis a Deus. At 11.21-24; 4.36; 9.36-41.

IX.  OS FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO

         São nove os frutos produzidos pelo Espírito Santo, narrados pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5.22; e são eles: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

         Os dons espirituais são concedidos por Deus para o serviço cristão na terra em que vivemos. Já os frutos do Espírito, ou poderíamos qualificar como frutos de santificação, são concedidos para vivermos uma vida de acordo com a vontade de Deus. É uma transformação no coração do crente.

         “Para facilitar este estudo, podemos dividir estes nove frutos em três “cachos de frutas”. Amor, alegria e paz são o primeiro cacho; tem a ver principalmente com nosso relacionamento com Deus. O segundo cacho – longanimidade, benignidade e bondade – tratam mais do nosso relacionamento com outras pessoas. Terceiro cacho – fidelidade, mansidão e domínio próprio, fala mais do nosso relacionamento com nosso interior – as atitudes e ações do nosso “eu”.

Discriminação dos frutos do Espírito e seus significados:

  1. Amor é o principal e primeiro fruto que deve fazer parte na vida do crente. Sem ele o nosso testemunho é anulado e nada vale. (I Co 13.1-8); Jesus ensinou a seus discípulos que eles iam ser reconhecidos pelo amor uns pelos outros. (Jo 13.34,35). “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.” (I Jo 3.14). “A ninguém fiqueis devendo cousa alguma, exceto o amor com que vos amais uns aos outros; pois quem ama ao próximo, tem cumprido a lei.” Rm 13.8.
  2. Alegria A palavra grega usada no Novo Testamento para a alegria é de origem espiritual, como “alegria do Espírito Santo” (I Ts 1.6). Também o antigo Testamento usa frases como alegria do Senhor (Ne 8. 10), para indicar que Deus é a fonte da verdadeira alegria.

Este termo significa “alegria nas coisas de Deus independente de qualquer circunstância, boa ou má, exemplo de Paulo na prisão. At 16.24,25.

  1. Paz Paz traz a idéia em si de unidade, satisfação, descanso, segurança e tranqüilidade. Esta paz é produzida pela presença de Cristo na vida do crente, não obstante, as lutas por ele passadas. Jo 14.27; Is 26.3.

    A paz de Deus só pode existir se a paz com Deus estiver sido restaurada através da conversão. Rm 5.1.

  1. Longanimidade É uma palavra mista composta por duas: longo e ânimo; o que deu o seguinte sentido: firmeza de ânimo, perseverança. E vem da palavra grega que tem a idéia de imperturbabilidade diante das provocações. O conceito de paciência sob maus tratos, sem ficar com raiva nem nutrir pensamento de vingança ou retribuição, também é inerente à palavra. Este fruto está mais relacionado com o relacionamento com o próximo. Cl 1.11.
  2. Benignidade Diz respeito a um comportamento terno, delicado para com o próximo. Este termo vem da palavra grega que entende toda a nossa natureza permeada de gentileza, delicadeza, acabando com tudo que é rude e grosseiro, podemos até chamar amor que permanece. II Tm 2.24.
  3. Bondade Esta palavra é derivada de um termo grego que se refere à qualidade das pessoas que são dirigidas e desejam o que é bom, que representa os mais elevados valores éticos e morais. Ef 5.19; II Ts 11,12.
  4. Fidelidade A fidelidade de que se fala aqui não é uma referência a fé do crente, mas à fidelidade que o Espírito Santo produz em uma vida cristã entregue a Ele.

  A mesma palavra aparece em Tito 2.10; a Escritura elogia muito este traço de caráter. Fidelidade nas cousas pequenas é teste de caráter mais seguro, como nosso Senhor mostra na parábola dos talentos, Mt 25.21. A moralidade não é tanto questão de grandeza, mas de qualidade. Certo é certo, errado é errado, tanto nas coisas pequenas como nas grandes. A base do julgamento de Deus para a igreja será através da fidelidade. I Co 3.9-16.

  1. Mansidão Ou humilde, vem da palavra grega que significa ser brando, ser suave no trato com os outros. (Mt 5.5). Em nenhum lugar da Escritura esta palavra implica em desânimo ou timidez.

      Antes de ser amansado pelo Espírito Santo, Pedro era rude e explosivo. Depois toda a sua energia passou a ser usada para a glória de Deus. Moisés foi chamado o homem mais manso do mundo, mas antes de Deus o chamar ele era altivo e independente, e levou quarenta anos no deserto até se submeter completamente ao controle de Deus.

  1. Domínio próprio (Ou temperança), a palavra grega significa senhorio forte e pesado, capaz de controlar nossos pensamentos e ações.

        Susana Wesley, mãe de João Wesley escreveu uma vez para ele quando estava na faculdade em Oxford, assim: “Tudo que aumenta a autoridade do corpo sobre a mente é mau.”

        Alguém disse: “Existem homens que podem comandar exércitos, mas não podem comandar a si mesmo. Existem homens que com suas palavras inflamadas podem cativar multidões, que não conseguem ficar quietos diante de provocações ou insultos. O maior sinal de nobreza é o domínio próprio”. Pv 16.32; 25. 28; II Pe 1.5,6.

X. O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO

         Tanto crentes como descrentes podem pecar contra o Espírito Santo. Veremos nesta seção como estes pecados são cometidos e como evitá-los.

  • A Blasfêmia contra o Espírito Santo.

É proferir palavras ultrajantes contra as cousas ou pessoas sagradas, divinas.

A blasfêmia contra o Espírito Santo é cometida por descrentes, é também qualificado como o pecado imperdoado, por este nem se pode orar (I Jo 5.16,17). Os inimigos de Jesus cometeram este pecado, porque além de não aceitarem a Jesus como Salvador e Messias, o acusaram de expulsar os demônios, pelo poder de Satanás. Mt 12.24-32.

O pecado imperdoável é rejeitar as verdades sobre Cristo. É rejeitar de uma maneira completa e definitiva o que o Espírito Santo diz a respeito de Cristo: Que Ele é o filho de Deus, o único que pode nos salvar dos pecados. At 7.51.

  • Entristecer o Espírito Santo. Ef 4.30.

         Chegamos agora a dois pecados contra o Espírito Santo que podem ser cometidos por cristãos; entristecer e apagar o Espírito Santo. Quase tudo o que fazemos de errado pode ser incluído em um destes dois termos. Vejamos o primeiro que é entristecer o Espírito Santo.

         A palavra entristecer dá a idéia de mágoa, de sofrimento. Tem a haver com a maneira que nós ferimos o coração do Espírito em nossa vida particular. Diz respeito a todos os pecados que cometemos principalmente os alistados pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.17-32.

  • Apagar o Espírito Santo. I Ts 5.19.

         A palavra apagar significa “abafar”, “extinguir”, e nos lembra do conceito Bíblico de que o Espírito Santo é um fogo. Quando nós apagamos o Espírito, nós extinguimos o fogo. Não quer dizer que o expulsamos, mas que abafamos o amor e o poder do Espírito enquanto Ele está tentando executar através de nós o propósito divino. Ou seja, a ação do Espírito que poderia ser plena e absoluta no que concerne ao plano de Deus em nossas vidas, fica restrita a algumas áreas trabalhadas por Ele e permitidas por nós.

 

                                                        Pr Francisco Nascimento

 

Obs: Esse é um trabalho de pesquisa que aglutina os melhores pensadores sobre as doutrinas de Teologia Sistemática

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