A CAUSA E A CURA DOS TERREMOTOS


A Causa e Cura dos Terremotos

Charles Wesley

Sermão 129

[Primeiro publicado no ano de 1750]

“Vinde, contemplai as obras do Senhor, as desolações que tem feito na terra”.

(Salmos 46:8)

De todos os juízos que o justo Deus inflige sobre os pecadores aqui, o mais terrível e destrutivo é o terremoto. Este ele tem ultimamente trazido, para nossa parte da terra, e por seu intermédio, alarmado nossos temores, e nos convidado a nos “prepararmos para encontrar nosso Deus!”. Os abalos que têm sido sentidos, nos diversos lugares, desde aquele que fez a cidade estremecer, podem nos convencer de que o perigo não terminou, e de que devemos nos manter ainda em temor; uma vez que “sua ira não se apartou, mas sua mão está estendida ainda”. (Isaias 10:4).

Ainda que eu possa ruir ao desígnio da Providência, nesta crise terrível, eu aproveitarei a oportunidade das palavras de meu texto:

I. Para mostrar que os terremotos são as obras do Senhor; e que Ele apenas traz esta destruição sobre a terra;

II. Chamá-los, para que observem as obras do Senhor, em duas ou três instâncias terríveis;

III. Fornecer algumas direções adequadas para a ocasião.

I

Eu mostrarei que os terremotos são obras do Senhor, e que apenas Ele traz esta destruição sobre a terra. Agora, que Deus é o próprio Autor, e o pecado a causa moral dos terremotos (qualquer que possa ser a causa natural), não pode ser negado, por alguém que acredite nas Escrituras; porque estas são aqueles que testificam Deus; que é Deus “quem remove as montanhas, e as destrói em sua ira; que remove a terra de seu lugar, e os pilares dela estremecem”. (Jô, 9:5-6). “Ele olha para a terra, e ela treme; ele toca nas montanhas, e elas fumegam”. (Salmos 104:32). “Os montes, como cerca, se derretem na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra”. (Salmos 97:5). “Os montes tremem perante ele, e os outeiros se derretem; e a terra fica devastada diante dele, sim, o mundo, e todos os que nele habitam. Quem pode manter-se diante do seu furor? e quem pode subsistir diante do ardor da sua ira? A sua fúria se derramou como um fogo, e por ele as rochas são atiradas abaixo por ele”. (Naum 1:5-6).

1. Os terremotos são anunciados, pelos escritores inspirados, como o ato judicial de Deus, ou a punição do pecado: O pecado é a causa, os terremotos o efeito, de sua ira. Assim o salmista diz: “Então a terra se abalou e tremeu, e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto ele se indignou”. (Salmos 18:7). Assim, o Profeta Isaías: “Eu punirei o mundo a sua maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos cruéis: — Portanto, farei estremecer o céu, e a terra se movera do seu lugar, por causa do furor do Senhor dos exércitos, e por causa do dia da sua ardente ira”.(Isaías 13:11, 13). E novamente: “Observe, o Senhor esvazia a terra; e a desola; e a vira de cabeça para baixo”. (no original, deturpa a face dela) “e dispersa seus moradores. Porque as janelas do alto estão abertas e os alicerces da terra são abalados. A terra está completamente quebrantada, e inteiramente decomposta, e excessivamente estremecida. A terra irá cambalear como o ébrio, e removida como a choupana; e a transgressão dela se tornará pesada sobre ela, e ela cairá, e nunca mais se levantará”. (Isaías 24:1, 18-20). “Estremeça, tu, terra, na presença do Deus de Jacó”. (Salmos 114:7). “Tu serás visitada, pelo Senhor dos Exércitos, com trovões, e com terremotos, e grande ruído”. (Isaías 29:6).

2. Nada pode ser mais categórico do que estes testemunhos bíblicos, que determinam ambos a causa e o autor desta terrível calamidade. Mas a razão, assim como a fé, suficientemente nos assegura que esta deve ser a punição do pecado, e o efeito daquela maldição que foi trazida sobre a terra, pela transgressão original. A estabilidade não deve mais ser procurada no mundo, uma vez que a inocência está banida dela: Mas nós não podemos conceber que o universo tivesse sido perturbado, por esses acidentes furiosos, durante o estado da retidão original. Por que razão, a ira de Deus teria armado os elementos contra seus súditos fiéis? Por que razão, ele teria destruído suas obras, para destruir os homens inocentes? Ou, por que, subjugou os habitantes da terra com as ruínas dela, se eles não eram pecaminosos? Por que, enterraram nas entranhas da terra, aqueles que não haviam morrido? Vamos, então, concluir, tanto das Escrituras, quanto da razão, que os terremotos são obras estranhas do juízo de Deus — o efeito e punição apropriados do pecado. Eu prossigo:

II

Para colocar diante de vocês, as obras do Senhor em duas ou três instâncias terríveis.

1. No ano de 1691, aconteceu na Sicília um dos mais terríveis terremotos de toda a história. Ele abalou toda a ilha e não apenas esta, mas Nápoles e Malta tomaram parte no abalo. Foi impossível para alguém se manter em seus joelhos, com a terra dançante: Mais do que isto, aqueles que estavam no chão foram arremessados de um lado para outro, como uma onda em movimento. As altas muralhas arremessaram-se de seus alicerces em diversos lugares.

2. O dano que ele causou é espantoso: Cinqüenta e quatro cidades e regiões, além de um inacreditável número de vilas, foram quase inteiramente destruídas. Catânia, uma das mais famosas, antigas, e florescentes cidades no reino, a residência de diversos monarcas, e uma universidade, teve o maior porção no juízo. O padre Anth Serrvoita, dirigindo-se para lá, a algumas poucas milhas da cidade, observou uma nuvem negra como a noite, pairando sobre ela; e grandes torres de chamas, que surgiam do monte do Etna, que se espalhavam ao redor. O mar, de repente, começou a rosnar, e se levantou em enormes ondas, os pássaros voaram atônitos de um lado para outro; o gado correu pelos campos, gritando, e houve um estouro, como se toda a artilharia no mundo tivesse sido disparada de uma só vez!

Seu cavalo e os de seus companheiros pararam subitamente, tremendo; de maneira que eles foram forçados a desmontar. Eles não partiram logo, mas ficaram levantados do solo, acima de dois palmos; quando, olhando em direção a Catânia, ele ficou atônito ao ver nada mais, a não ser uma densa nuvem de pó no ar. Este era o panorama da calamidade deles; porque da magnífica Catânia, não existe a menor pegada a ser vista. Dos dezoito mil, novecentos e quatorze habitantes, dezoito mil pereceram nela. Nas diversas cidades e regiões, seis mil foram destruídas de duzentos e cinqüenta e quatro mil e novecentas!

3. No mesmo ano, 1692, em 7 de Junho, houve o terremoto na Jamaica. Ele derrubou a maioria das casas, igrejas, engenhos, moinhos, e pontes através da ilha; removeu as rochas e montanhas, reduzindo algumas delas à planícies; destruiu todas as plantações a as atirou dentro do mar; e, em dois minutos, derrubou e destruiu nove décimos da cidade de Port Royal; as casas afundaram inteiramente trinta ou quarenta braças (1,83m) de profundidade!

A terra, abrindo, e tragando as pessoas; e elas se erguendo em outras tuas; algumas no meio do porto (sendo direcionadas novamente, através do mar que se levantou naquelas fendas), e, assim, escaparam maravilhosamente.

De todos os poços, de uma braça de seis ou sete metros de profundidade, a água fluiu no topo, com veemência. Enquanto as casas de um lado da rua eram tragadas, do outro, elas eram amontoadas. A areia na rua levantava-se, como ondas do mar, erguendo todo corpo que estivesse nela, e imediatamente derrubando em abismos; ao mesmo tempo, que uma correnteza de água, irrompendo, os revolvia, diversas vezes, enquanto tentavam se agarrar às vigas e esteios para se salvarem.

Navios e chalupas no porto eram derrubados e perdidos. Uma embarcação, devido ao movimento do mar, e com o afundamento do cais, foi direcionada para os topos de muitas casas e afundou lá.

O terremoto foi atendido com uma depressão de som estrondoso, como aquele de um trovão. Em menos de um minuto, três quartos das casas, e o solo em que elas estavam, com os habitantes, afundaram completamente na água, e a pequena parte deixada para trás não estava melhor do que um monte de entulho!

O impacto foi tão violento que ele atirou as pessoas de joelhos, ou com as suas faces no chão, quando procuravam por abrigo; o solo levantou e inchou, como o mar de ondas, e diversas casas, ainda restantes eram arrastadas e removidas algumas jardas fora de seus lugares; dizia-se que toda uma rua estava duas vezes mais larga agora do que antes.

Em muitos lugares, a terra racharia, e abriria, e fecharia rápida e firmemente, de cujas aberturas, duzentas ou trezentas seriam vistas, no mesmo instante; em algumas, em que as pessoas eram tragadas; outras o fechar da terra, cortava-as ao meio e as comprimia até a morte; e dessa maneira, elas eram enterradas com apenas suas cabeças acima do solo; algumas cabeças os cães comiam!

O Ministro do lugar, em seu relato, disse que era tal a desesperada perversidade das pessoas, que ele estava temeroso de continuar entre elas; que, no dia do terremoto, alguns marinheiros e outros arrombaram e saquearam armazéns, e casas desertas, enquanto a terra tremia sob eles, e as casas caíam sobre eles, no ato; que ele encontrou muitos blasfemando e caluniando, e que as prostitutas comuns, que ainda permaneceram no lugar, estavam tão bêbadas e impudentes, como sempre.

Enquanto ele corria em direção ao Forte, um lugar amplo e aberto, para se salvar, ele viu a terra se abrir e tragar uma multidão de pessoas; e o mar, levantando-se sobre elas nas fortificações, igualmente destruiu o largo cemitério, e lavou as carcaças de suas sepulturas, fazendo suas tumbas em pedaços. Todo o cais estava coberto com corpos, flutuando, para cima e para baixo, sem sepultamento.

Tão logo o violento abalo terminou, ele pediu que todas as pessoas se reunissem em oração. Entre elas estavam diversos judeus, que se ajoelharam e responderam como eles faziam, e foi ouvido, até mesmo, chamarem por Jesus Cristo. Depois de ele ter passado uma hora e meia com eles em oração e exortações ao arrependimento, ele estava desejoso de se retirar para alguns navios no cais, e, passando sobre os topos de algumas casas que estavam no mesmo nível da água, chegar primeiro a uma canoa, e, então, para um barco largo que o conduziria a bordo de um navio.

As grandes aberturas no chão engoliam as casas, e de algumas, emergiriam rios completos, jorrando um grande peso de ar, e ameaçando com um dilúvio, toda parte que o terremoto poupou. O todo era atendido com cheiros desagradáveis e o barulho de montanhas desabando. O céu, em um minuto, se tornou escuro e vermelho, como um forno em brasa. Dificilmente uma fazenda de plantio ou engenho foi deixada de pé em toda a Jamaica. Uma grande parte delas foi engolida, casas, árvores, pessoas, e todas em um só buraco enorme, em cujo lugar, mais tarde, apareceram grandes poços de água, que, quando secaram, deixaram coisa alguma, a não ser areia, sem qualquer marca, de que, alguma vez, houve árvore ou planta neles.

Por volta de doze milhas do mar, a terra bocejou e jorrou, com uma força prodigiosa, vastas quantidades de água no ar. Mas a maior violência estava em meio às montanhas e rochas. A maioria dos rios foi interrompida por vinte e quatro horas, pela queda de montanha, até que, elevando-se, eles mesmos construíram novos canais, dilacerando árvores, e tudo com o que se encontravam em sua passagem.

Uma grande montanha rachou-se e caiu no nível do solo, e cobriu diversos estabelecimentos, e destruiu as pessoas que lá se encontravam. Uma outra montanha, depois de diversos saltos ou movimentos, submergiu uma grande parte de uma plantação, situada uma milha além. Uma outra grande e alta montanha, perto de um dia de jornada distante, foi completamente engolida, e onde ela se situava é agora um grande lago algumas léguas de distância.

Depois de um grande abalo, aqueles que escaparam ficaram a bordo de navios no ancoradouro, onde muitos continuaram por mais de dois meses; os abalos todo o tempo, sendo tão violentos, e vindo tão intensos. Algumas vezes duas ou três em uma hora, acompanhados com ruídos aterrorizantes, como o vento ondulante, ou uma depressão de trovão estrondeante, com rajadas fortes de enxofre, que eles não se atreveram a vir para terra firme. A conseqüência do terremoto foi uma enfermidade geral, de vapores nocivos, que assolaram mais de três mil pessoas.

4. Em 28 de Outubro de 1746, dez e meia da noite, Lima, a capital do Peru, foi destruída por um terremoto, que se estendeu uma centena de léguas em direção ao norte, e quantas mais para o sul, em toda a extensão da costa marítima. A destruição não deu tanto tempo para o alarme; porque, no mesmo instante, o barulho, a colisão e a ruína eram percebidos. No espaço de quatro minutos, durante os quais a maior força do terremoto durou, alguns se acharam enterrados, sob as ruínas de casas desabadas; e, outros, esmagados até a morte nas ruas, pelos desabamentos de muros, que caíram sobre eles quando eles corriam de um lado para outro.

Não obstante, a maior parte dos habitantes (que foram calculados em aproximadamente sessenta mil), foi providencialmente preservada, quer nos lugares profundos que as ruínas deixaram, ou no topo das próprias ruínas, sem saber como chegou até lá. Porque, nenhuma pessoa, em tal ocasião, teve tempo para deliberação; e supondo-se que tivesse, não havia lugar de refúgio: Porque as partes que pareceram mais firmes algumas vezes, provaram ser as mais fracas; ao contrário das mais fracas, de tempos em tempos, causaram a maior resistência; e a consternação foi tal, que ninguém se acreditou seguro, até que tivesse escapado da cidade.

A terra bateu contra as construções, com tal violência, que cada choque derrubava a maior parte delas; e essas, causando, em toda sua extensão, grande peso em sua queda (especialmente as igrejas e as casas altas), completavam a destruição de tudo com o que elas se encontravam, até mesmo, com o que o terremoto havia poupado. Os choques, embora instantâneos, eram ainda assim, sucessivos; e, de tempos em tempos, os homens eram transportados de um local para outro, o que era um meio de segurança para alguns, enquanto a completa impossibilidade de movimento preservava outros.

Havia setenta e quatro igrejas, além de capelas, e quatorze monastérios, com tantos hospitais e enfermarias, que foram, a todo o momento, reduzidos a montes de ruínas, e suas imensas riquezas, enterradas na terra! Mas, embora dificilmente vinte casas permanecessem de pé, ainda assim, não parece que o número de mortos somou mais do que mil cento e cinqüenta e uma pessoas; setenta das quais eram pacientes em um hospital, que foram enterradas pelo telhado que caiu sobre elas, quando em suas camas, sem que pessoa alguma fosse capaz de prestar-lhes auxílio.

Callao, uma cidade portuária, duas léguas distantes de Lima, foi engolida pelo mar, no mesmo terremoto. Ela desapareceu das vistas, num instante; de maneira que nem o menor sinal dela agora aparece.

De fato, algumas poucas fortalezas e a força de seus muros suportaram, por algum tempo, toda a força do terremoto: Mas escassamente seus pobres habitantes haviam se recuperado do primeiro susto que a terrível ruína ocasionara, quando, de repente, o mar avolumou-se, e se ergueu a uma altura prodigiosa, investindo furiosamente adiante, e inundando, com tão vasto dilúvio, suas antigas regiões fronteiriças, que, afundando a maioria dos navios que estavam ancorados no porto, e levantando o restante acima dos muros e torres, os direcionou e os deixou em solo seco, muito além da cidade. Ao mesmo tempo, dilacerou, desde os alicerces, todas as casas e construções, com exceção de dois portões, e aqui e ali, alguns pequenos fragmentos dos próprios muros, que, como registro da calamidade, era ainda vistos em meios às ruínas e águas, — um monumento espantoso do que eles foram!

Nesta inundação feroz, sucumbiram todos os habitantes do lugar, por volta de quinhentas pessoas. Alguns, quando podiam se segurar em alguns pedaços de madeira, flutuavam, por um tempo considerável; mas aqueles fragmentos, por falta de espaço, continuamente batiam uns contra os outros, e assim golpeavam aqueles que haviam se agarrado neles.

Por volta de duzentas pessoas, a maioria de pescadores e marinheiros, se salvaram. Elas declararam que as ondas, em seu recuo, cercaram toda a cidade, sem deixar meios para preservação; e que, em intervalos, quando a violência da inundação estava um pouco diminuída, eles ouviram a maioria dos gritos e gemidos dolorosos daqueles que pereciam. Estes, igualmente, que estavam a bordo de navios, que, com a elevação do mar, eram carregados, quase completamente sobre a cidade, tiveram a oportunidade de escape. Dos vinte e três navios no porto, no momento do terremoto, quatro ficaram encalhados, e todos os demais afundaram. As poucas pessoas que se salvaram, encima de tábuas foram, diversas vezes, dirigidas ao redor, à uma distância como a Ilha de St. Lawrence, mais de duas léguas do forte. Por fim, alguns deles foram jogados no ancoradouro, e outros na ilha, e assim foram preservados.

5. Nestes exemplos, nós podemos observar e ver as obras do Senhor, e quão “terrível ele é, em seus feitos, em direção os filhos dos homens”. (Salmos 66:5). Na verdade, nada pode ser tão comovente, quanto esta sentença dos terremotos, quando este vem inesperadamente, como um ladrão no meio da noite; — “quando o inferno se dilata, e abre sua boca, sem medida; e a glória deles, e sua multidão, e sua pompa, e aqueles que se regozijam, caem dentro dele” (Isaías 5:14); — quando não existe tempo para fugir, ou estratégia de escape, ou possibilidade de resistir; — quando nenhum santuário ou refúgio permanece; nenhum abrigo é encontrado nas mais altas torres, ou nas mais baixas cavernas; — quando a terra se abre, de súbito, e se torna a sepultura de famílias inteiras, ruas, e cidades; e os efeitos disto, em menos tempo do que você, são capazes de contar a história dele; tanto enviando uma inundação para afogá-los, ou vomitando labaredas de fogo, para consumi-los, ou se fechando novamente sobre eles, para que morram, por asfixia ou penúria; se não, nas ruínas de suas próprias moradias; — quando pais e filhos, maridos e esposas, mestres e servos, magistrados, Ministros, e pessoas, sem distinção, no meio da saúde, e paz, e trabalho, são enterradas em um ruína comum, e passam todas juntas, para o mundo eterno; e existe apenas uma diferença, de algumas poucas horas ou minutos, entre as famosas cidades e nenhuma, afinal.

6. Agora, se a guerra for um mal terrível, quanto mais um terremoto, que, em meio à paz, traz mal pior do que a extremidade da guerra! Se a pestilência feroz for terrível, que faça desaparecer milhares, durante o dia, e dez mil em uma noite; se um fogo consumidor for uma sentença espantosa; quanto mais surpreendentemente maior é isto, em que, as casas, e habitantes, e países, e cidades, e regiões, são todos destruídos em um só golpe, em poucos minutos! A morte é apenas o único presságio de tal sentença, sem dar tempo para nos prepararmos para outro mundo, ou oportunidade de procurarmos por algum abrigo neste.

Porque um homem sentir a terra, que se dependura do nada (mas como algumas esferas enormes em meio a um flexível ar rarefeito), tremer debaixo de si, deve preenchê-lo, secretamente, com temor e confusão. A História nos informa dos efeitos temerosos dos terremotos, em todas as épocas, onde se vê rochas rasgadas em pedaços; montanhas não apenas sendo lançadas, mas removidas; colinas, levantadas, não dos vales apenas, mas dos mares, labaredas irrompendo das águas, pedras e brasas expelidas; rios mudados; mares desalojados; a terra se abrindo; cidades, engolidas, e muitos eventos medonhos semelhantes.

De todas as divinas reprovações, não existe uma mais horrível, mais inevitável, do que esta. Porque, onde podemos pensar em escapar ao perigo, se a maioria das coisas sólidas em todo o mundo, estremece? Se aquilo que mantém todas as outras coisas nos ameaça afundar, sob nossos pés; que santuário, nós podemos encontrar, do mal que nos circunda? E para onde podemos nos recolher, se os abismos que se abrem, fecham nossas passagens de todos os lados?

Com que horror, os homens são golpeados, quando ouvem a terra gemer; quando seu tremor sucede suas queixas; quando as casas se soltam de seus alicerces; quando os telhados caem em suas cabeças; e o pavimento sucumbe sob seus pés! Que esperança, quando o temor não puder ser cercado pela fuga! Em outros males, existe alguma forma de escape; mas o terremoto circunda o que ele destrói, e paga a guerra com todas as províncias; e, algumas vezes, deixa nada para trás, para informar a posteridade de seus ultrajes. Mais insolente do que o fogo, que priva as rochas; mais cruel do que o conquistador, que deixa as muralhas; mas voraz do que o mar, que expele naufrágios; ele engole e devora o que quer que destrua. O próprio mar é objeto de seu império, e as mais perigosas tempestades são aquelas ocasionadas pelos terremotos.

III

Eu venho, em Terceiro e ultimo lugar, dar a vocês algumas direções adequadas para a ocasião. E isto é o mais necessário, porque você não sabe quão cedo o último terremoto, com que Deus nos visitou, pode retornar, ou se Ele pode não ampliar, assim como repetir sua ordem. Uma vez, sim, duas vezes, o Senhor tem nos advertido de que ele está se levantando para abalar terrivelmente a terra.

1. Razão pelo qual, tema a Deus, até mesmo este Deus pode, de repente, atirar ambos corpo e alma no inferno! “Entra nas rochas, e esconde-te no pó, de diante da espantosa presença do Senhor e da glória da sua majestade”. (Isaías 2:10). Nós não deveríamos clamar: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? Porque os teus juízos são manifestos!” (Apocalipse 15:3-4).

Deus fala aos seus corações, como no trovão subterrâneo: “A voz do Senhor clama junto à cidade: — Ouça a vara e quem a apontou”. (Miquéias 6:9). Ele ordena a vocês para se certificarem de seu poder e justiça. “Venham e vejam!”. (Apocalipse 6:5), enquanto um selo novo é aberto; sim “venham e vejam as obras de Deus; ele é terrível nos seus feitos, em direção aos filhos dos homens”. (Salmos 66:5)

Quando ele faz as montanhas tremerem e a terra se abalar, seus corações não se comovem? “Vocês não me temem?”, diz o Senhor; “e não tremerão à minha presença?”. (Jeremias 5:22). Vocês não temerão a mim, aquele que pode abrir as janelas do céu, ou fazer emergir as fontes das profundezas, e derramar todas as inundações de vingança quando me agradar? – quem pode fazer “chover sobre as armadilhas ímpias, fogo e enxofre, e uma horrível tempestade” (Salmos 11:6); ou acender aquelas correnteza e exalações, nas entranhas e cavernas da terra, e fazer delas força, em seu caminho para a destruição das cidades, regiões e paises? Quem pode assim, subitamente, transformar uma terra frutífera, em um deserto estéril, um espetáculo espantoso de desolação e ruína?

“A trombeta soprará na cidade, e as pessoas não temerão? Haverá males na cidade, que o Senhor não tenha feito?” (Amós 3:6). “O leão bramiu, quem o temerá? Com Deus, está a terrível majestade; os homens, portanto, devem temê-lo”. (Amós 3:8). Alguns temem; e todos deveriam. Ó, que o temor a Deus caia sobre vocês, neste momento, em que ouvem essas palavras, constringindo cada um de vocês a clamar: “Minha carne treme por temor a ti; e eu estou aterrorizado de teus juízos!”. (Salmos 119:120). Ó, que todos possam ver, que sua mão está agora levantada, como que para golpear; está esticada ainda; e agita sua vara sobre a terra culpada, pessoas adequadas para a destruição! Porque, esta nação não deverá ser visitada? E “E eu não deverei castigá-los por causa destas coisas? — diz o Senhor; ou minha alma não será vingada de tal nação como esta?”, (Jeremias 5:9). O que mais, se não um arrependimento nacional poderá impedir a destruição nacional?

2. “Considerem isto, vocês que se esquecem de Deus, para que eu não os despedace, sem que haja quem os livre!”. (Salmos 50:22). Esta iniqüidade não pode ser sua ruína, arrependam-se! Este é o Segundo aviso que eu ofereceria a vocês, ou antes, o Primeiro, que é imposto a vocês, mais adiante, explicado. Temam a Deus, e apartem-se do cessem seus pecados neste instante. “Lavem-se, tornem-se puros; tirem fora o mal de seus feitos, de diante dos meus olhos; cessem de fazer o mal; aprendam a fazer o bem”, diz o Senhor.

“Exceto se vocês se arrependerem, vocês todos igualmente perecerão”. (Lucas 13:3). “Portanto, agora, diz o Senhor”, quem não está desejoso de que alguém possa perecer, “Convertam-se a mim, com todo seu coração, e com jejum, e com choro, e com murmurar; e dilacerem seus corações e não suas vestimentas, e voltem para o Senhor seu Deus; porque ele é gracioso e misericordioso, tardio em irar-se, e de grande benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se ele não se voltará e se arrependerá, e deixará uma bênção, atrás de si?”. (Joel 2:12-14).

“Quem sabe?”. Uma questão que faria vocês tremerem. Deus está pesando vocês na balança, e, por assim dizer, considerando, se salva ou se destrói! “Diga, junto aos filhos de Israel: Vocês são um povo obstinado: eu virei até vocês, num instante, e os consumirei; portanto, agora, tirem fora seus ornamentos, para que eu possa saber o que fazer a vocês”. (Êxodo 33:5).

Deus espera para ver qual efeito seus avisos têm, junto a vocês. Ele pausa, no momento de executar o juízo, e clama: “Como desistirei de ti?”. (Oséas 11:8). Ou, “por que vocês seriam ainda mais castigados?”. (Isaías 1:5). Ele não tem prazer na morte daquele que morre. Ele não executaria seu estranho ato, a menos que a impertinência obstinada deles o compelisse.

“Por que você morrerá, Ó, casa de Israel?” (Ezequiel 18:31). Deus adverte vocês do juízo próximo, para que possam se prevenir, e escapar dele, através do arrependimento oportuno. Ele ergue sua mão, e a sacode sobre vocês, para que possam, vê-la, e impedirem o golpe. Ele lhes diz: “Agora está posto o machado á raiz das árvores” (Mateus 3:10). Portanto, arrependam-se; produzam os bons frutos; e vocês não serão derrubados, e lançados no fogo. Ó, não desprezem as riquezas de sua misericórdia, mas façam com que elas os conduzam ao arrependimento! “E tenham por salvação a longanimidade de nosso Senhor” (II Pedro 3:15). Não endureçam seus corações, mas voltem para Ele que os golpeia; ou, preferivelmente, que vocês possam voltar e serem poupados!

Quão vagaroso é o Senhor para irar-se. Quão relutante para punir! Através de quais passos lentos, ele vem executar a vingança! Quantas aflições mais leves, antes do sopro final!

Ele acenaria ao homem, em seu cavalo vermelho para retornar e diz: “Espada, vá através desta terra”; nós podemos nos queixar que ele não nos deu aviso? A espada, primeiro, não privou nos arredores; e nós, então, não a vimos dentro de nossos limites? Ainda assim, o misericordioso Deus disse “Até aqui, tu deves vir, e não mais além”; ele interrompeu os invasores no meio de nossa terra, e os fez voltar novamente, e os destruiu.

Ele enviaria o homem no cavalo empalidecido, cujo nome é Morte; e a peste destruiria milhares e dezenas de milhares de nós; podemos negar que primeiro ele nos alertou, através da mortalidade feroz em meio ao nosso rebanho?

Assim, se nós provocamos a ele, para devastar a terra, e derrubá-la, e nos destruir, como ele o fez com Sodoma e Gomorra; nós mesmos não procuramos por isto? Nós não temos razão para esperarmos alguma calamidade como esta; sem notícia prévia; sem tremer a terra, antes de ela se divida; sem estremecer, antes que abra sua boca? Ele não deu exemplos de tão terrível sentença, diante de nossos olhos? Nós nunca ouvimos da destruição da Jamaica, ou Catânia, ou aquela de Lima, que aconteceu ontem mesmo? Se nós perecermos, por fim, pereceremos, sem desculpa; porque o que poderia mais ter sido feito para nos salvar?

Sim; tu tens agora um outro chamado ao arrependimento; uma outra oferta de misericórdia, quem quer que tu sejas, que ouça essas palavras. Em nome do Senhor Jesus, eu advirto a ti, uma vez mais, como um atalaia sobre a casa de Israel, para fugires da ira vindoura! Eu quero que tu te lembres (se tu esqueceste disto tão rapidamente), do último terrível juizo, por meio do qual Deus te sacudiu sobre a boca do inferno! Teu corpo ele provavelmente despertou, através dele; mas ele despertou tua alma? O Senhor esteve no terremoto, e colocou uma solene questão em tua consciência: “Tu estás pronto para morrer?”. “Tua paz é criada por Deus?”. Estivesse a terra exatamente agora para abrir sua boca, e tragar a ti, o que seria de ti? Onde tu estarias? No seio de Abraão; ou erguendo teus olhos no tormento? Tiveste, tu, perecido no terremoto, tu não terias morrido em teus pecados, ou antes, ido diretamente para o inferno? Quem impediu tua condenação? Ele foi o Filho de Deus! Ó, prostra-te agora, e O adora! Dá a Ele a glória de teu livramento; e devote o resto de teus dias a seu serviço!

3. Este é o Terceiro aviso que eu daria a vocês: Arrependam-se e creiam no Evangelho. Acreditem no Senhor Jesus, e vocês ainda serão salvos. Beijem o Filho, a fim de que ele não se ire, e vocês pereçam. O arrependimento somente não terá proveito algum a vocês; nem vocês se arrependerão, exceto que vocês confessarem com seu coração quebrantado, o mais condenável de todos os seus pecados, sua descrença; vocês terem rejeitado, ou não aceito Jesus Cristo, como seu único Salvador. Nem vocês poderão se arrepender, exceto se ele mesmo der o poder; exceto se o Espírito Dele os convencer do pecado, porque vocês não crêem Nele.

Até que vocês se arrependam de sua descrença; todos os seus bons desejos e promessas são em vão, e desaparecerão como a nuvem da manhã. As promessas que vocês fizeram, em um momento de dificuldade, vocês esquecerão e quebrarão, tão logo a preocupação esteja terminada e o perigo tiver passado.

Mas vocês se livrarão de sua maldade, ao suporem que o terremoto não poderá retornar? Deus nunca necessita de maneiras ou meios de punir os pecadores impenitentes. Ele tem milhares de outras sentenças em reserva; e se a terra não abrir sua boca; ainda assim, é certo que vocês, por fim, serão tragados pelo poço sem fim do inferno!

Tu já escapaste daquela morte eterna? Então, recebe a sentença da morte em ti mesmo, tu miserável, autodestrutivo pecador! Conhece tua necessidade da fé viva, salvadora, divina! Geme sob teu fardo de descrença, e se recusa a ser confortado, até que tu ouças a Ele dizer de sua própria boca: “Tem ânimo, teus pecados foram perdoados de ti”.

Eu não posso tomar por certo, que todos os homens têm fé; ou falar para os pecadores desta terra, como para os crentes em Jesus Cristo. Porque onde estão os frutos da fé? A fé operada pelo amor; a fé que domina o mundo; a fé que purifica o coração; a fé, em sua menor medida, remove montanhas. Se tu podes crer, todas as coisas são possíveis a ti. Se tu és justificado pela fé, tu tens a paz com Deus, e regozijas na esperança de seu glorioso aparecer.

Aquele que creu tem o testemunho em si mesmo; tem a garantia do céu em seu coração; tem o amor mais forte que a morte. A morte para um crente perdeu seu aguilhão; “portanto, que ele não tema, embora a terra seja removida, e embora as montanhas sejam levadas para o meio do mar”. (Salmos 46:2). Porque ele sabe em quem ele creu; e que “nem a vida, nem a morte serão capazes de separá-lo do amor de Deus que está em Jesus Cristo, seu Senhor”.

Tu crês assim? Prova, para teu próprio eu, através da palavra infalível de Deus. Se tu não tens os frutos, efeitos, ou propriedades inseparáveis da fé, tu não tens fé. Vem, então, para o Autor e Consumador da Fé, confessar teus pecados, e a raiz de toda – a tua descrença, até que ele perdoe a ti, teus pecados, e limpe a ti de toda iniqüidade. Vem para o Amigo dos pecadores, cansados e oprimidos, e ele dará a ti perdão! Lança tua pobre alma desesperada em seu amor! Entra na rocha, na arca, na cidade do refugio! Pede e tu receberás a fé e o perdão, juntos. Ele esperou para ser gracioso. Quaisquer que sejam os juízos que venham nestes últimos dias, ainda assim, quem quer que clame pelo nome do Senhor Jesus, será liberto.

Invoca-o agora, ó pecador! E continua em oração constante, até que ele responda a ti na paz e poder! Lute pela bênção! Tua vida, tua alma, está em risco! Clame poderosamente a Ele: — “Jesus, tu, Filho de Davi, tem misericórdia de mim. Deus, sejas misericordioso para comigo, pecador!”. Senhor me ajuda! Ajuda em minha descrença! Salva-me ou perecerei! Borrifa meu coração preocupado! Lava-me, totalmente, na fonte de teu sangue; guia-me, através de teu Espírito; santifica-me, totalmente e receba-me na glória!

“Agora a Deus, o Pai”.

[Editado por George Lyons da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), para a Wesley Center for Applied Theology.]

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