JUSTIFICAÇÃO


JUSTIFICAÇÃO

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;  por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” Romanos 5:1,2

1. A Natureza da Justificação

“A palavra ‘justificar’ é termo judicial que significa absolver, declarar justo, ou pronunciar sentença de aceitação. A ilustração procede das relações legais. O réu está perante Deus, o justo juiz; mas. ao invés de receber sentença condenatória, ele recebe a sentença de absolvição.

O substantivo ‘justificação’ ou ‘justiça’ significa o estado de aceitação para o qual se entra pela fé. Essa aceitação é dom gratuito de parte de Deus, posto à nossa disposição pela fé em Cristo Jesus. (Rm 1.17; 3.221,22). É o estado de aceitação no qual o crente permanece (Rm 5.2). Apesar de seu passado pecaminoso e de imperfeição no presente, o crente goza de completa e segura posição para com Deus. “Justificação” é o veredicto divino e ninguém o poderá contradizer (Rm 8.34).

Outras definições de justificação:  “Justificação é um ato da livre graça de Deus pelo qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos somente por nos ser imputada a justiça de Cristo, que se recebe pela fé”.

“Justificar um pecador é considerá-lo relativamente justo. É tratá-lo como se assim o fosse, sem fazer caso da falta de retidão anterior, absolvendo-o, libertando-o e pondo-o acima dos vários castigos  penais e, especialmente, da ira de Deus e do perigo da morte eterna que merecia pela sua vida injusta passada. É aceitá-lo como se fosse justo e admiti-lo ao estado, aos privilégios e às recompensar da injustiça”.

“A justificação é aquele ato gracioso e judicial de Deus, pelo qual Ele concede perdão de toda a culpa, a remissão completa da pena pelos pecados cometidos e a aceitação como justos a todos que crêem em Jesus Cristo e o recebem como Senhor e Salvador.”

“Justificação é primeiramente uma mudança de posição da parte do pecador, o qual antes era condenado; agora, porém, goza de absolvição. Antes estava sob a condenação, mas agora participa da divina aprovação”. Jo 3.18,36; Rm 5.9.

2. Os Alvos da Justificação

“A justificação começa com o presente do crente; e se estende em duas direções: o passado e o futuro. Trata do pecado e da culpa de ambos, judicialmente, e estabelece o crente como eternamente justo na presença de Deus”.

a. A remissão do pecado, incluindo a remoção de sua culpa e penalidade. (At 13.38,39; Rm 8.1,33,34; Mq 7.18,19).

b. A atribuição da retidão de Cristo e a restauração ao favor de Deus. II Co 5.21; Fl 3.9; Tg 2.23; Rm 3.21,22.

3. O Método de Justificação

“Já nos dias de Jó encontramos, o homem fazendo a seguinte pergunta: ‘Como, pois seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher?” (Jo 25.4). O Salmista roga ao Senhor e diz: “Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (Salmo 143.2). Felizmente, aqueles que buscavam a Deus no Velho Testamento não precisaram esperar até Paulo nascer para encontrarem a resposta à sua pergunta. Paulo nos lembra que Abraão foi justificado pela fé quatorze anos antes de ser circuncidado. (Rm 4.1-5, 9-12; Gn 15.5,6; 16.15,16; 17. 23-26 ), e que Deus se regozijou com o fato de uma justiça imputada ( Rm 4.6-8 ). Em outras palavras, a doutrina  da justificação no Novo Testamento não é uma inovação. É uma verdade que já era  conhecida nos dias do Velho Testamento, e a justiça era obtida naqueles dias do mesmo modo que na dispensação do Novo Testamento.

a. Não é pelas obras da Lei: Rm 3.20; Gl 2.16; Rm 4.2-7; Gl 5.4.     “A lei não foi dada para salvar ou justificar quem quer que seja, mas para pôr ponto final nos argumentos e mostrar que todos são culpados (Rm 3.19); para dar conhecimento do pecado (Rm 3.20; 7.7); para mostrar a excessiva pecaminosidade do pecado (Rm 7.13); para conduzir o pecador a Jesus (Gl 3.24). No tribunal de Deus nenhum homem pode ser considerado justo a seus olhos pela obediência à Lei. Nenhum homem pode prestar perfeita e perpétua obediência, pelo que a justificação pela obediência à lei é impossível (Gl 3.10; Tg 2,10; Rm 3.23). A epístola aos Romanos apresenta esta grande verdade. Como meio de estabelecer corretas relações com Deus, a lei é totalmente insuficiente. A única coisa que a lei pode fazer é fechar a boca de todo homem e declará-lo culpado perante Deus. Trata-se de uma questão de Moisés ou Cristo, as obras ou a fé, a lei ou a promessa, fazer ou confiar, salário ou dom gratuito”. Evans.

b. Não pelo caráter moral. I Co 4.4; Lc 16.15; Ef 2.8-9.

c. É pela Graça de Deus. Rm 3.24; Tt 3.5-7.

d. É pelo sangue de Cristo. Rm 3.24; 5.9; Hb 9.22.

e. É pela ressurreição de Cristo. Rm 4.25.

“Os homens são justificados declarativamente ou manifestamente através da ressurreição de Cristo. Jesus ressuscitou por causa da nossa justificação, isto é, a ressurreição de Cristo mostra o valor justificador de sua morte como base de nossa justificação.”

“Cristo no calvário satisfez a penalidade exigida, deu-se como equivalente, e assim, pagou o equivalente à quantia exigida; mas Deus pelo fato de ressuscitar Cristo de entre os mortos, deu a sua assinatura ao recibo da conta paga, pelo que não apenas a nossa dívida está paga mas está quitada, pois está quitada por aquele que fez a justa exigência”. Mackay.

f. É pela fé. Rm 5.1; 4.5; 3.26; 10.10; At 13.39; Gl 2.16.

g. É evidenciada através das obras. Tg 2.14,24; Ef 2.8-10.

“Não devemos desprezar as boas obras, que tem seu próprio lugar; e seu lugar não precede a justificação, mas antes, segue-a. A fé que justifica é uma fé real que conduz à ação que é de conformidade com a verdade crida. Somos justificados pela fé, sem as obras. O homem que trabalha para conseguir a salvação não é o homem justificado, mas o homem justificado é o homem que trabalha. A árvore demonstra sua vida por meio de seus frutos, mas já estava viva antes que os frutos ou mesmo as folhas tivessem aparecidos”. Bancroft.

“Não há contradição entre Paulo e Tiago no que concerne à questão de fé e das obras. Paulo considerou a questão do ponto de vista de Deus, e assevera que somos justificados, aos olhos de Deus, meritoriamente, sem quaisquer obras de nossa parte. Tiago considera o assunto do ponto de vista do homem, e assevera que somos justificados, à vista do homem, evidentemente, pelas obras, e não exclusivamente, pela fé. Em Tiago a questão em foco não é a base da justificação, como é o caso dos escritos de Paulo, mas sem, o que está em foco é a sua demonstração”. EVANS.

“Imagina-se que haja contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago. O primeiro, aparentemente, teria ensinado que a pessoas é justificada pela fé, o último que ela é justificada pelas obras. (Vide Rm 3.20 e Tg 2.14-16), contudo, uma compreensão do sentido em que eles empregarem os termos, rapidamente fará desvanecer a suposta dificuldade. Paulo está recomendando uma fé viva que confia somente no Senhor; Tiago está denunciando uma fé morta e formal que representa, apenas, um consentimento formal. Paulo está  rejeitando as obras mortas de lei, ou obras sem fé; Tiago está louvando as obras vivas que demonstram a vitalidade da fé. A justificação mencionada por Paulo refere-se ao início da vida cristã; Tiago usa a palavra com o significado de vida de obediência e santidade como evidência exterior da salvação. Paulo está combatendo o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de salvação; Tiago está combatendo o antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa qual seja a conduta da pessoa uma vez que creia. Paulo e Tiago não são soldados lutando entre si; são soldados na mesma linha de combate, cada qual enfrentando inimigos que os atacam de direções apostas”. Myer  Pearmen.

Pensamento conclusivo: “O homem é justificado não por seu caráter ou sua conduta, mas pela graça de Deus como ato judicial na base da redenção de Cristo, conforme demonstrado por sua ressurreição; e é apropriada a justificação pela fé e manifestada pelas obras”. Bancroft.

4. Os Resultados da Justificação

a. Absolvição de todo ato pecaminoso. Rm 8.1, 33,34; 5.9.

b. Paz com Deus. Rm 5.1; Ef 2.14-17.

c. Há a imputação da justiça de Cristo. Rm 4.5; II Co 5.21; I Co 1.30.

d. Certeza da glorificação futura. Tt 3.7; Rm 8.30; Mt 13.43; Gl 5.5.

Pr Francisco Nascimento

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