SIMPLESMENTE UMA MULHER


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O

sol começava a despontar  no horizonte distante, prenunciando a sua chegada. As andorinhas, juntamente com outros pássaros, despertavam uns aos outros com lindos cânticos da aurora, festejando a chegada de mais um dia.

Tinha tudo para ser um lindo dia. Mas, não para aquela mulher que morava em Samaria, nos desertos da Palestina.  Como quase todos os dias, aquele era mais um dia infernal. Levantou-se, sentou a beira da cama, cabisbaixa. Colocou as mãos na cabeça; seus cabelos todos desgrenhados. Tentou ajeitá-los com ás mãos, como pode. Olhando para o lado direito, estava deitado, roncando insensivelmente, seu companheiro, seu ‘marido’ digamos assim, que conhecia há pouco tempo, mas já experimentara poucas e boas, depois de roubá-lo de outra mulher. Pensava com isso, satisfazer os seus desejos mais profundos, mas que nada! Lerdo engano, tinha se metido em mais uma enrascada daquelas.

Levantou-se com dificuldade da cama. Foi  ao banheiro. Lavou-se, escovou os dentes, olhou no espelho, deparou-se com seu rosto, e logo veio a frustração que novamente a atormentava. Estava ficando velha, feia, rugas já rodeavam seus olhos, teimavam em aparecer, juntamente com alguns  cabelos brancos. As marcas dos sofrimentos eram visíveis em seu rosto. Aquele rosto que outrora fora admirado e elogiado como um dos mais lindos da região de Samaria, agora estava sentido o peso da idade e do sofrimento. Não só o rosto, mas o corpo esbelto, bem torneado, também estava ficando velho e flácido.

Antes de passar no quarto das crianças, ajeitou alguns gravetos, colocou fogo e pôs água na panela para fazer café. Enquanto a água aquecia ao fogo, passou a pensar em sua vida de sofrimento e dor: “Como tudo tem sido difícil para mim; estou chegando à velhice e nada absolutamente nada, dá certo.” Seus olhos,  marejados de lágrimas, perplexa e assaltada por um sentimento de solidão, mágoa, decepção, desilusão,  sentindo-se só, não obstante, a presença da família que tentara construir. Ela era infeliz, embora que com galhardia procurara a felicidade, esta, porém, teimava em esconder-se.

Puxou a cadeira, sentou-se, não podia impedir o choro,  a dor e o desespero… Os pássaros cantavam lá fora, mas seu coração chorava, uma tristeza avassaladora perpassava sua alma. Balançando a cabeça, com voz trêmula, quase que inaudível, fez uma oração ao Deus de Israel: “Senhor, já não agüento mais, minhas forças estão acabando, os sofrimentos tomam conta de minha alma. Eu sei Senhor, que tenho levado infelicidade a muitos, tenho pecado contra ti e meu próximo, mas Senhor tem misericórdia de mim. Preciso de tua ajuda, estou cansada!” Era o clamor de uma alma desesperada.

Olhou para o lado para ver se alguém a tinha ouvido. Enxugou as lágrimas. Foi até o quarto, passou a chamar as crianças para irem à escola: Vamos acordem! Está na hora de acordar! Sua voz parecia firme, mas seu coração continuava triste. Vestindo-se, foi rápido até a feira.

Na feira, logo deparou-se  com os olhares curiosos e lascivos em sua direção. Aliás, sempre foi assim, seus atributos corporais despertavam nos homens os desejos incontidos, e nas mulheres invejas, ciúmes e raivas. “Essa é a aquela mulher da vida, vulgar que tem trazido infelicidade ás famílias”; diziam algumas em forma de sussurro. A fama dela era de  roubadora de maridos.

– “Moço faça um favor, dê-me dois quilos de carne, dois pacotes de arroz e dez pães quentes.”

Pagou, saiu apressada, ainda a tempo de encontrar seu companheiro dormindo, pois se acordasse  e sentisse sua ausência, começaria a esbravejar, num rasgo de ira e ciúme, pedindo sua presença. Que vida!

Seu companheiro, acordou, disse alguma coisa parecida com “bom dia”. Tomou banho, comeu alguma coisa sobre a mesa, vestiu-se e saiu para o  trabalho.

Ela foi ao quarto das crianças, despertando-lhes por completo. Serviu-lhes o café e levou-as à escola.

Voltando para a casa, sempre muito apressada, a fim de não  sofrer nem umas daquelas afrontas das mulheres de sua cidade, que costumeiramente recebia.

Aproximando-se o meio dia, depois de cuidar de muitas coisas, pegou um cântaro, o maior que tinha, colocou na cabeça e foi a uma fonte distante, conhecida como a fonte de Jacó, buscar água.

Sozinha, suada da caminhada, ainda ofegante deparou-se com um homem de aparência de judeu, que havia chegado primeiro que ela e estava a descansar também junto ao poço. Disse Jesus à mulher:

“Dá-me de beber”.

A mulher espantada, perguntou-lhe:

“Como podes tu judeu, falar comigo que sou samaritana?”

Os judeus não falavam com os samaritanos, pois julgavam que Deus não abençoava aquele povo. No que ele respondeu:

“Se você conhecesse o dom de Deus, quem é este que te fala: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água da vida.”

Respondeu ainda perplexa, aguçada pela curiosidade:

“Senhor, o poço é fundo, onde tens essa água da vida?”

Disse Jesus:

“Quem beber dessa água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.”

Disse a mulher com voz ofegante e os olhos brilhando:

– “Senhor, dá-me desta água, para que eu não mais tenha a sede, nem precise vir aqui buscá-la.”

Jesus lhe respondeu:

“Vai chama o teu marido e vem cá.”

No que ela retrucou prontamente:

‘Não tenho marido.’

Replicou-lhe Jesus:

“Bem disseste, não tenho marido, porque cinco maridos já tiveste, e este que agora tens não é teu marido, isso disseste com verdade.”

Meio atônita pela revelação que fora feita, não sentia acusação naquelas palavras, mas o seu coração começou a sentir o drama da infelicidade que promovera a tantas famílias. De súbito, a mulher responde:

“Vejo que és profeta… Eu sei que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas.”

No que respondeu Jesus:

– “Eu o sou, eu que fala contigo.”

Com essas revelações, vendo a chegada dos discípulos de Jesus, ela deixou seu cântaro e saiu correndo até Samaria, sua cidade, vai parando as pessoas nas ruas:

–  “Eu encontrei o Messias, o Cristo, o Salvador do mundo, eu falei com ele. Ele está aqui junto ao poço de  nosso pai Jacó.”

Muitas pessoas nas ruas, feiras e mercados, vendo o aglomerado, foram ver o que se passava. Ouvindo o testemunho convincente daquela mulher, vendo seu semblante mudado, passaram a questionar:

– “Como você o encontrou? Onde ele está? O que ele fez?”

– “Eu não sei. Respondeu ela. – Ele falou comigo, falou da minha vida errada, mas ele não me condenava, falava de uma água viva.”

– “Água Viva?” Bradou alguém em meio a multidão, em tom de  incredulidade. – “O que é isso?” perguntou.

“Eu não sei”, respondeu ela. – “Ele disse que se alguém beber desta água nunca mais terá sede, e ele é que tem essa água da vida.  Eu senti uma alegria e  uma paz muito grande ao seu lado, eu creio que ele é o Messias, o Salvador de nossas vidas. Vão lá e vejam  vocês mesmos, se não é Ele?” Falou com convicção e firmeza.

Saiu um punhado de homens e mulheres, crianças e jovens correndo para ir conhecer o Messias. Outros não quiseram ir, ficando na cidade,  pois não acreditaram naquelas palavras, ainda mais vindo de uma mulher leviana.

Os que foram até Jesus, sentiram-se impactados pela sua presença, suas palavras, seu projeto de reino. Muitos choraram arrependidos de seus pecados, confessando a necessidade de uma nova vida com Deus e de andar com Cristo.

Ao verem aquela mulher, que outrora desprezavam, disseram:

– “Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.”

Paráfrase da mulher Samaritana do Evangelho de João 4:1-42.

Pr Francisco Nascimento

3 comentários sobre “SIMPLESMENTE UMA MULHER

  1. SENHOR COMO A SAMARITANA EU TAMBÉM TE PEÇO DESTA ÁGUA PARA QUE EU VIVA SEM TANTAS DÚVIDAS , MEDOS E MORTES. ACREDITO QUE TU É PODER, VIDA E AMOR.

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